11 nov 2022

Pneumonia enzoótica em suínos

Pneumonia Enzoótica (PE) é uma das doenças respiratória de maior ocorrência em suínos. Saiba mais!

Pneumonia enzoótica em suínos

Pneumonia Enzoótica (PE) é uma das doenças respiratória de maior ocorrência em suínos (Simionatto et al. , 2013). De grande importância na suinocultura, principalmente nas fases de crescimento e terminação, tem um sido um fator de grandes prejuízos nas linhas finais de abate levando a condenação das carcaças, aumento do uso de medicamentos e diminuição do desempenho produtivo dos suínos, gerando significativas perdas econômicas à suinocultura mundial (Alberton & Mores, 2008).
Sua distribuição geográfica é bem considerável e endêmica em países com criação de suínos tecnificadas, podendo ser encontrada pelo mundo todo (Simionattoet al., 2013).
Tem como agente patogênico a bactéria Mycoplasma hyopneumoniae, e na maioria das vezes, os quadros clínicos respiratórios dos suínos, estão associados com outros microrganismos, agravando o quadro do animal.
Micoplasmas é um termo genérico usado para representar a classe dos Mollicutes , a menor bactéria sem parede celular que parasitam diversas espécies de animais, humanos e plantas, comumente encontrados na natureza (Chernov et al., 2014).
Para a espécie suína, Mollicutes de maior importância é representado por M. hyopneumoniae, agente causador de pneumonia com uma infecção crônica elevada chamada pneumonia por micoplasma. Bactéria espécie-especifica presente na microbiota normal do trato respiratório e tendo este, um local frequente de infecção e capacidade de produzir diversas substâncias, como proteases e hemolisinas (Quinn et al., 2004; Rottem, 2003).
Porém, a ocorrência de doença é influenciada pela presença, em maior ou menor grau, dos fatores de risco ambientais e de manejo, predispondo os animais às infecções (Fraile et al., Opriessnig et al., 2011).
Ambientes pouco higiênicos ou de elevada densidade associados a fatores ambientais, como circulação do ar com volume de 
ar/animal inferior a 3 m³, lotação superior a 1 suíno/m², variações térmicas diárias superiores a 8 ºC, umidade do ar superior a 73% e inferior a 65%, alojamentos superlotados acima de 500 animais e manejo contínuo, aonde não se utiliza o vazio sanitário ideal entre os lotes, atuam na ocorrência e disseminação, predispondo animais em todas as fases à doença, embora animais adultos possuam alguma imunidade (Emilio et al., 2008; Desrosiers, 2001).
A disseminação do agente no rebanho é lenta e o período de incubação pode variar de 14 a 42 dias (Meyns et al., 2004; Eduardo Fano & Carlos Pijoan, 2005). No Brasil a genômica de M. hyopneumoniae é altamente variável, sugestivamente devido à altas temperaturas (dos Santos et al., 2015).
Caracterizada por elevada morbidade, baixa mortalidade, tosse crônica e atraso do crescimento a pneumonia enzoótica suína é uma patologia bastante transmissível. Como o agente etiológico se encontra na mucosa respiratória, sua propagação direta ocorre por via aerógena, de aerossóis infectados ou pela flora nasal por contato com as secreções respiratórias e transmissão indireta através de ferramentas, equipamentos, roupas e veículos infectados (Marina Sibila et al., 2009).
Traqueia brônquios e bronquíolos são os sítios primário e principais de infecção (Marois et al., 2010; Hillen et al., 2014; Marois et al., 2007), entretanto, a progresso da colonização do sistema respiratório do suíno por M. hyopneumoniae não está totalmente elucidada.
M. hyopneumoniae coloniza o trato respiratório dos suínos, aderindo ao epitélio ciliado das vias respiratórias, causando cilioestase, se multiplicando e progredindo em toda a árvore brônquica. Como resultado, os cílios são destruídos e a eficiência do sistema mucociliar é reduzida.
As principais lesões microscópicas associadas no pulmão são broncopneumonia catarral caracterizada por grande infiltração de neutrófilos, linfócitos e macrófagos no lúmen e hiperplasia de tecidos linfoides associados aos brônquios (BALTs). Entretanto, a presença em porções mais caudais do sistema respiratório como epitélio alveolar e macrófagos alveolares possivelmente está relacionada a curso mais avançado da enfermidade(Thacker, 2004; Kwon et al., 2002).
Dada a natureza, especificidade e complexidade dos fatores associados a esta patologia, a determinação rápida e precisa da pneumonia enzoótica, especialmente os fatores causais, é essencial. Devido às características únicas desta doença, os sinais clínicos e os aspectos gerais e microscópicos da lesão podem ser combinados para fazer um diagnóstico presuntivo.
No entanto, este procedimento é subjetivo e impreciso e requer testes adicionais para confirmar o diagnóstico. O cultivo e o isolamento dos agentes costumam ser necessários para evitar um diagnóstico não determinístico e controverso da causa do processo. (Desrosiers, 2001).
Existem muitos testes laboratoriais disponíveis no diagnóstico da pneumonia bacteriana (PE). As ferramentas comuns de análises podem ser realizado por variadas abordagens clinicas, incluindo:
  • Observação das lesões de abate
  • Acompanhamento nos lotes
  • Cultura bacteriológica
  • Ensaio imunoenzimático e 
  • Inspeção post mortem (Vangroenweghe et al., 2015).
Com alta sensibilidade o teste de reação em cadeia da polimerase (PCR) é considerado o procedimento mais preciso, carecendo apenas de pequena amostra do agente para a constatação, possibilitando o diagnóstico do agente tanto in vivo quanto pós mortem, com amostras de lavado broncoalveolar, suabes nasal e traqueo-bronquial (Pepovich et al., 2015; Marina Sibila et al., 2009).
O controle da pneumonia enzoótica requer além das estratégias farmacológicas a implementação de um conjunto estratégico aplicado no controle ambiental como limpeza e desinfeção, promovendo melhores condições de manejo e ambiente para os animais a fim de obter melhor êxito da enfermidade, reduzir perdas produtivas e econômicas. Estas ações de biosseguridade ainda são alternativas valiosas preconizadas na prevenção para reduzir o nível de infecção em um rebanho, o número de organismos nos pulmões e melhorar as condições de saúde dos animais, embora não garantem a supressão de M. hyopneumoniae.
Atenção especial deve ser dada também no uso dos fármacos, seja de forma preventiva ou curativa, objetivando o uso racional de modo a coibir resistências bacteriana e devendo estar bem definida com base a situação sanitária de cada propriedade, além de pesquisas a fim de avaliar os mais diferentes aspectos desta doença para proporcionar maiores avanços na rotina das grandes criações.
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