03 out

Tecnologia de alimentação animal, com Alexandre Barbosa de Brito

Confira a entrevista com Alexandre Barbosa de Brito, Gerente Técnico LATAM da AB Vista, que elucida os conceitos das tecnologias de alimentação e a sua relação com a saúde intestinal de suínos.

Tecnologia de alimentação animal, com Alexandre Barbosa de Brito

Com os contínuos desenvolvimentos na produção de suínos, o foco em um alto nível de inteligência alimentar combinada com a tecnologia de alimentação animal é mais vital do que nunca.

Diante disso, a AB Vista apresenta à indústria suína novas possibilidades de desenvolvimento de forma sustentável e tirando o máximo proveito dos alimentos, com menor custo aos produtores.

Dentro deste contexto, a suínoBrasil conversou com Alexandre Barbosa de Brito, Gerente Técnico LATAM da AB Vista, que elucida os conceitos das tecnologias de alimentação e a sua relação com a saúde intestinal de suínos.

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Probióticos têm sido considerados como uma alternativa não antibiótica eficaz para reduzir a infecção por patógenos e melhorar a saúde animal dos suínos, para a qual a levedura viva é uma das fontes de probióticos de grande utilidade.

Estes aditivos probióticos, obtidos através de cepas a base de Saccharomyces cerevisiae de alta concentração e de grande foco em redução do conteúdo de oxigênio do intestino dos suínos, pode resultar em uma melhor modulação de flora intestinal e consequentemente em seu estado imunológico (Lu et al., 2019).

Esta suplementação especialmente na gestação e lactação tem demonstrado melhorar o estado de saúde da matriz suína, além de ações no desempenho reprodutivo, estado imunológico da progênie e na composição do leite.

Estes efeitos, seguramente podem trazer vantagens para a performance dos leitões, mitigando os efeitos da hiperprolificidade.

 

QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DE UM AMBIENTE LUMINAL FAVORÁVEL PARA AS BACTÉRIAS QUE DECOMPÕEM AS FIBRAS?  

Uma maior proliferação de uma comunidade bacteriana que utiliza a fibra como fonte de alimento, trará para o animal características importantes como a produção de ácidos graxos de cadeia curta, que é, em última instância, fonte nutricional para os suínos.

Normalmente, quando se utiliza aditivos especializados em incrementar esta fermentação (desenvolvendo, em sua maioria, do filo bacteriano Firmicutes), geramos a produção de ácidos acético, propiônico e butírico que pode ser facilmente convertido em energia no cólon de suínos.

Com isso, quanto maior a fermentação de fibra, maior poderá ser o ganho financeiro em termos de custo de fêmeas suínas na gestação e lactação ou mesmo em leitões e cevados.

Mas estes ganhos não param apenas na matriz energética associada a fermentação.

De acordo com Jha et al. (2019), a fermentação microbiana desta fibra dietética produz metabólitos que promovem o crescimento de bactérias intestinais benéficas, apoia a integridade intestinal e a função imunológica adequada dos animais, o que gera efeitos benéficos na saúde intestinal e redução do uso de antibióticos e outras fontes usuais na nutrição de suínos, como o uso de óxido de zinco.

 

QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS MELHORIAS EM FÊMEAS SUÍNAS (E SUAS LEITEGADAS) ALIMENTADAS COM LEVEDURA VIVA?

Os principais impactos seriam:

  • Melhorias no desempenho reprodutivo,
  • Estado imunológico da progênie e
  • Na composição do leite das fêmeas

Gerando um incremento de rentabilidade para o produtor, gerando um ciclo de produção mais sustentável (seja como melhoria de sustentabilidade para o negócio do cliente ou mesmo como melhoria da sustentabilidade ambiente por aumentar a absorção e aproveitamento de nutrientes).

 

COMO A ABORDAGEM NUTRICIONAL DE LEVEDURA VIVA PODE INFLUENCIAR NO MICROBIOMA INTESTINAL? 

No caso da levedura viva, a modulação intestinal vem, em grande parte, da redução do potencial de pressão de oxigênio no intestino dos animais.

Isso traz uma seleção de bactérias benéficas que culminará em uma maior fermentação de fibra dietética naturalmente presente no milho e no farelo de soja (além de outros ingredientes vegetais normalmente utilizados na dieta dos animais).

Mas, além destes ganhos, o efeito da suplementação de leveduras vivas em alimentos de matrizes suínas, apoia a função imunológica adequada dos animais, o que gera efeitos benéficos na saúde intestinal e redução do uso de antibióticos.

 

AGORA FALANDO SOBRE UM DOS TEMAS MAIS DISCUTIDOS NA LITERATURA CIENTÍFICA, SAÚDE INTESTINAL. A SAÚDE INTESTINAL FUNDAMENTA-SE EM QUATRO PILARES, SÃO ELES: DIGESTÃO, BARREIRA FÍSICA, MICROBIOTA INTESTINAL E ÓRGÃO IMUNE. QUAIS OS PRINCIPAIS BENEFÍCIOS (CONSIDERANDO OS PILARES DA SAÚDE INTESTINAL) DA INCLUSÃO DE ENZIMAS EXÓGENAS EM DIETAS COM ALTA PROPORÇÃO DE POLISSACARÍDEOS NÃO-AMILÁCEOS SOLÚVEIS? 

Excelente pergunta, creio que um aditivo enzimático capaz de transformar cadeias de polissacarídeos não-amiláceos (PNA) solúveis em partículas de menor tamanho (oligossacarídeos), trará para estas frações uma excelente opção de prebiose, por dois motivos:

  • Custo desta fração (que já é normalmente presente em ingredientes de origem vegetal);
  • Volume (um alimento a base de milho e farelo de soja, pode chegar a ter 10kg/ton de PNA solúveis e outros 90kg/ton de PNA insolúveis).

 

QUAIS OS PRINCIPAIS PONTOS DE DESTAQUE PARA O USO EFICIENTE DAS FRAÇÕES DE FIBRA DIETÉTICA? 

Como dito na resposta anterior, incrementar a fermentação da fração de PNA solúvel é importante, mas a maior fração está na fração insolúvel da fibra, desta forma, ter um produto (aditivo nutricional) capaz de gerar este mesmo padrão de fermentação na fração solúvel e insolúvel da fibra é algo de grande mérito!

Nisso insere-se o aditivo Estimbiótico, o único capaz de gerar tal padrão de fermentação da fibra contribuindo de forma sem igual a modulação intestinal e matriz nutricional, seja em alimentos com alto conteúdo de PNA solúveis ou mesmo insolúveis.

 

AO INCREMENTAR O PADRÃO DE FERMENTAÇÃO OCORRE A GERAÇÃO DE XILO-OLIGOSSACARÍDEOS (XOS) DAS CADEIAS DE ARABINOSA + XILOSA. QUAL O EFEITO DO XOS NO TRATO GASTROINTESTINAL? 

A suplementação dietética in vivo de XOS no TGI através dos animais, geram um incremento de ácidos graxos de cadeia de forma direta (por sua própria fermentação), mas incrementos significativos indiretamente, estimulando preferencialmente o crescimento e a atividade de bactérias benéficas que vão ter ações nas fibras solúveis e especialmente insolúveis naturalmente presentes em alimentos à base de milho e farelo de soja, gerando ácidos graxos de cadeia curta e saúde intestinal aos animais.

 

O QUE É O EFEITO ESTIMBIÓTICO? E O QUE SÃO ADITIVOS ESTIMBIÓTICOS?

O termo estimbiótico (Cho et al., 2019) foi introduzido recentemente e é definido como aditivos não digeríveis, mas fermentáveis, que estimulam a fermentabilidade da fibra, mas em uma dose muito baixa para que o próprio estimbiótico possa contribuir de maneira significativa para a produção de ácidos graxos voláteis (AGV).

Portanto, ao contrário dos prebióticos que são fermentados quantitativamente pelo microbioma, o estimbiótico simplesmente melhora a fermentação da fibra que já está presente na dieta, gerando um padrão de modulação sem igual, porém com custos inferiores na estratégia de formulação.

 

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