
Pars oesophagea: área onde o esôfago entra no estômago. Fonte: The animal nutrition.
A ocorrência de úlceras gástricas em suínos é uma preocupação constante em relação à saúde e produção animal. Erosão e ulceração do revestimento do estômago é uma condição comum em suínos em sistema de produção intensivo. Confira o artigo da semana da SuínoBrasil!

A ocorrência de úlceras gástricas em suínos é uma preocupação constante em relação à saúde e produção animal. Erosão e ulceração do revestimento do estômago é uma condição comum em suínos em sistema de produção intensivo. Ela ocorre ao redor da área onde o esôfago entra no estômago (chamada de pars oesophagea). Nos estágios iniciais da doença, a pars oesophagea torna-se áspera e muda gradualmente conforme a superfície sofre erosão e pode ficar profundamente ulcerada. Essas alterações podem causar hemorragia intermitente seguida de anemia ou hemorragia maciça resultando em morte.
Pars oesophagea: área onde o esôfago entra no estômago. Fonte: The animal nutrition.


A patogênese das úlceras gástricas parece ser altamente multifatorial. A incidência e gravidade da condição estão associadas :
No entanto, entre estes, a estrutura física da alimentação é o fator de risco mais significativo; tamanho de partícula fina e peletização aumentam significativamente a prevalência de úlceras gástricas. A hipótese levantada é de que o conteúdo gástrico mais fluido associado a essas alimentações permite o refluxo de fluidos ácidos para o tecido não glandular da pars oesophagea.
Embora a incidência de úlceras gástricas seja alta em suínos comerciais e a patologia seja bem reconhecida, parece haver pouca informação sobre como a condição afeta o bem-estar. Uma pequena proporção de suínos com úlceras agudas graves, com hemorragia, morrem, ou mostram vários sinais clínicos agudos de dor, e a perfuração de uma úlcera também pode levar à peritonite.
A maioria dos suínos com úlceras gástricas não é detectada em condições de produção, e o estado de bem-estar desses animais afetados subclinicamente em relação àqueles com estômagos saudáveis permanece incerto.


A condição do estômago foi avaliada post mortem de acordo com um índice de pontuação de úlcera pré-estabelecido.
O comportamento de suínos com estômagos saudáveis (n = 36) foi comparado com o comportamento de suínos com ulceração profunda da pars oesophagea (n = 26).
A avaliação de várias posturas e comportamentos predefinidos foi feita por um observador cego ao estado da úlcera gástrica dos animais observados. Os dados comportamentais dos dois locais foram combinados em uma única análise.
Suínos com úlceras gástricas tendem a ficar menos tempo inativos (p = 0,081) e menos tempo deitados sobre o lado esquerdo (p = 0,064), e significativamente mais tempo em pé (p = 0,009) ou caminhando (p = 0,038) em comparação com os saudáveis. Além disso, suínos com úlceras também apresentaram maior frequência de alterações posturais (p = 0,02).
Uma diminuição no tempo gasto deitado à esquerda e um aumento em ficar em pé/andar podem ser interpretados como tentativas de evitar que o conteúdo gástrico líquido se acumule na região cranial do estômago. Isso,somado com o maior nível de alterações posturais observadas, pode indicar algum grau de dor/desconforto associado à presença de úlceras gástricas em porcos.
Este estudo é o primeiro a identificar diferenças comportamentais aparentes entre suínos em fase de terminação com ou sem úlceras gástricas, mais estudos são necessários para estabelecer até que ponto as diferenças comportamentais aparentes são uma consequência da dor ou desconforto nos animais afetados.
O estudo demonstrou diferenças comportamentais – alterações de tempo postural e um aumento da frequência de mudanças de postura – entre suínos com e sem úlceras gástricas. A explicação mais plausível para esses efeitos é que a ulceração subclínica pode causar algum grau de desconforto nos animais. As diferenças comportamentais entre suínos com e sem úlceras também são difíceis de classificar em termos da gravidade de qualquer impacto no bem-estar associado a elas.
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