29 nov 2021

Eficácia da bromexina para diminuir a viscosidade nasal e pulmonar em suínos

Os principais agentes infecciosos respiratórios dos suínos são enzoóticos na maioria das granjas, sendo que alguns deles fazem parte da microbiota normal do trato respiratório. A ocorrência de doenças é variável, no entanto, sendo influenciada pela presença, em maior ou menor grau, dos fatores de risco ambientais e de manejo que predispõem os animais às […]

Eficácia da bromexina para diminuir a viscosidade nasal e pulmonar em suínos

Os principais agentes infecciosos respiratórios dos suínos são enzoóticos na maioria das granjas, sendo que alguns deles fazem parte da microbiota normal do trato respiratório. A ocorrência de doenças é variável, no entanto, sendo influenciada pela presença, em maior ou menor grau, dos fatores de risco ambientais e de manejo que predispõem os animais às infecções (1, 2), além de se apresentar de forma clínica ou subclínica.

Eficácia da bromexina para diminuir a viscosidade nasal e pulmonar em suínos

 

A pneumonia enzoótica suína é uma das principais causas de perdas na produção de suínos. O agente etiológico desta enfermidade, o Mycoplasma hyopneumoniae, não possui parede celular, fazendo com que muitos antibióticos sejam ineficientes contra esse agente e dificultando o tratamento dos animais doentes. Também é um dos principais contribuintes para o Complexo das Doenças Respiratórias de Suínos, que envolve outros agentes. A interação desses patógenos causa enormes perdas econômicas direta ou indiretamente, de acordo com suas apresentações e a gravidade das lesões.

 

Na associação de Mycoplasma hyopneumoniae com outros agentes secundários pode ser observada uma tosse produtiva e, em alguns casos, corrimento nasal mucoso ou muco catarral.

O Actinobacillus pleuropneumoniae, por sua vez, causa uma lesão pulmonar caracterizada por broncopneumonia fibrinosa. Na infecção por Glaesserella parasuis podemos encontrar broncopneumonia exsudativa fibrinopurulenta. Já no caso de infecção por Pasteurella multocida, a maioria das cepas atuam como agentes secundários e o tipo de lesão que produzem pode variar de broncopneumonia fibrinosa a broncopneumonia catarral purulenta.

A Influenza suína também faz parte do complexo das doenças respiratórias dos suínosA Influenza suína também faz parte do complexo das doenças respiratórias dos suínos e é uma das principais causas de pneumonia viral. Além de agente primário, o vírus também predispõe os animais ao surgimento de pneumonia bacteriana secundária.

Os sinais clínicos típicos de influenza são caracterizados por:

O curso dura entre dois e sete dias e observa-se um acometimento de muitos suínos do rebanho.

Todas estas lesões citadas anteriormente causam severa dificuldade respiratória, resultando em diminuição do desempenho e, como consequências dessas pneumonias para o sistema de produção, podemos citar o aumento da mortalidade, piora na eficiência alimentar, aumento dos gastos com medicamentos, aumento dos custos de produção, além das condenações de carcaças no frigorífico.

Como importante ferramenta no auxílio do controle dos desafios respiratórios supracitados temos a bromexina, que reduz a viscosidade do muco e ativa o epitélio ciliar, facilitando desta maneira o transporte e a expulsão de tal conteúdo junto aos agentes patogênicos.

Essa molécula vem sendo amplamente utilizada na medicina humana e veterinária pela eficácia no tratamento de infecções do sistema respiratório. A bromexina altera as estruturas das secreções brônquicas pela fragmentação das fibras mucopolissacarídeas, proporcionando a redução da viscosidade e melhorando o processo respiratório.

Visando reduzir os sinais clínicos dos animais e mitigar as perdas supracitadas, foi conduzido um estudo com o objetivo de avaliar a eficácia da bromexina (BROMESOL®) para a redução da viscosidade do muco a nível nasal e pulmonar em leitões desmamados.

Material e métodos 

O experimento foi realizado em uma granja experimental nas proximidades da cidade de Río Cuarto, localizada no sul da província de Córdoba, Argentina.

Os leitões foram alojados em uma sala que tem baias separadas para cada grupo com densidade de 0,35 m²/animal, piso de plástico, comedouros automáticos que propiciam fornecimento de ração ad libitum e bebedouros tipo taça. Os animais foram identificados com brincos coloridos de acordo com o grupo experimental ao qual foram designados.

No trabalho foram utilizados leitões da genética PIC, com peso médio inicial variando entre 15 e 18 quilos, divididos em 3 grupos experimentais com 4 animais para cada tratamento e 3 repetições por tratamento.

 

Os lavados traqueobronquiais foram realizados nos dias zero, 2 e 4 do experimento em todos os grupos.

Todas as amostras das lavagens traqueobronquiais foram avaliadas para mensuração da viscosidade. As análises estatísticas foram realizadas pelo programa StatGraphics 18, realizado para análise estatística ANOVA com nível de significância de p˂0,05 e comparação de médias com 95% de confiança.

Para determinar a densidade das amostras foi utilizado um picnômetro. Utilizando a água como solução conhecida e com a fórmula abaixo, foi possível mensurar a densidade dos lavados traqueobronquiais.

 

 

Para a determinação da viscosidade foi utilizado o viscosímetro Ostwald, que foi imerso em um tanque termostático a 20ºC. O viscosímetro foi, então, preenchido com cada uma das amostras e o tempo de descida foi medido. As medições foram repetidas três vezes para cada amostra usando a média como resultado final. Para finalizar, o mesmo procedimento foi realizado com água destilada e a viscosidade foi obtida utilizando a seguinte fórmula:

 

As ações e cuidados com os animais foram regidos pelas diretrizes de bem-estar animal expressas no guia de cuidado e uso de animais experimentais do Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (INTA), elaborado e apoiado pelo Comitê Institucional de Cuidado e Uso de Animais Experimentais (CICUAE) do Centro de Pesquisa em Ciências Veterinárias e Agronômicas do INTA.

Resultados 

Os resultados de viscosidade dos lavados traqueobronquiais, assim como os pesos médios dos animais utilizados no experimento, estão expressos na Tabela 1. O que podemos observar é que:

 

o uso de Bromesol®, tanto via oral quanto via spray, diminuiu a viscosidade dos lavados em comparação ao grupo controle. 

 

a,b médias seguidas de letras distintas na linha indicam diferença estatística (P<0,05) * Ps valores de densidade estāo expressos em mPa.s – Milipascal segundo. A . Controle negativo; B- Bromesol Oral (1mg/kg); C-Bromesol Spray (7,5%)

No Gráfico 1, podemos observar a dispersão dos resultados de viscosidade segundo os diferentes grupos.

Os resultados dos animais do Grupo A (controle negativo) apresentaram o índice de maior viscosidade.

Em contrapartida, os animais dos Grupos B e C (tratamentos com Bromesol®) apresentaram índices de menor viscosidade, ou seja, os efeitos esperados do produto, principalmente no que tange ao efeito fluidificação do muco, foram evidenciados.

Gráfico 1. Dispersão da viscosidade segundo os diferentes tratamentos.

 

Conforme citado anteriormente, o Bromesol®, por ser um agente mucolítico que altera as estruturas das secreções brônquicas pela fragmentação das fibras mucopolissacarídeas, proporciona a redução da viscosidade, o que ficou evidenciado neste trabalho.

Em relação às vias de aplicação, no Grupo B (Bromesol® em água) e no Grupo C (Bromesol® em spray) não foi evidenciada diferença estatística, corroborando com a indicação do produto, que permite que ele seja utilizado por diferentes vias de aplicação.

Complexo das Doenças Respiratórias de Suínos

 

Em suma, o Bromesol® é capaz de reduzir a viscosidade das secreções das vias aéreas de suínos após 3 dias de tratamento via água de bebida e/ou spray.

Complexo das Doenças Respiratórias de Suínos

SI
Relacionado com Patologia e Saúde Animal

MAIS CONTEÚDOS DE

Dados da empresa

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

EDIÇÃO Revista SuínoBrasil 2º Trimestre 2022
A vida intrauterina pode influenciar o desenvolvimento gastrointestinal dos suínos?

A vida intrauterina pode influenciar o desenvolvimento gastrointestinal dos suínos?

Ana Luísa Neves Alvarenga Dias Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida Letícia Pinheiro Moreira Thais Garcia Santos
IPVS 2022 novas perspectivas da suinocultura: biossegurança, produtividade e inovação

IPVS 2022 novas perspectivas da suinocultura: biossegurança, produtividade e inovação

Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida
Intestino, o maior órgão imune do organismo – Parte 1

Intestino, o maior órgão imune do organismo – Parte 1

Cândida Azevedo Henrique Cancian
Complexos multi-enzimáticos melhoram a digestibilidade e desempenho nos suínos

Complexos multi-enzimáticos melhoram a digestibilidade e desempenho nos suínos

Equipe Adisseo
Diversidade microbiana intestinal de suínos e quadros de disenteria suína

Diversidade microbiana intestinal de suínos e quadros de disenteria suína

Amanda G. S. Daniel Roberto M. C. Guedes
Nutrição sustentável de suínos

Nutrição sustentável de suínos

Carlos Alexandre Granghelli Cristiane Soares da Silva Araújo Lúcio Francelino Araújo Luiz Antônio Vitagliano
Rotavirose suína: epidemiologia, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico e controle da doença

Rotavirose suína: epidemiologia, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico e controle da doença

João Paulo Zuffo Jônatas Wolf Ricardo Yuiti Nagae
Encontro Regional ABRAVES-PR 2022

Encontro Regional ABRAVES-PR 2022

Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche

Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche

Equipe técnica de suínos da Vetanco
A evolução da suinocultura brasileira e a  importância da realização do 10º IPVS (International Pig Veterinary Society) em 1988

A evolução da suinocultura brasileira e a importância da realização do 10º IPVS (International Pig Veterinary Society) em 1988

Luciano Roppa
Fêmeas hiperprolíficas: existe manejo ideal durante a lactação?

Fêmeas hiperprolíficas: existe manejo ideal durante a lactação?

César Augusto Pospissil Garbossa
Desequilíbrio entre a oferta e demanda de carne suína e os impactos na rentabilidade do setor

Desequilíbrio entre a oferta e demanda de carne suína e os impactos na rentabilidade do setor

Wagner Yanaguizawa

JUNTE-SE À NOSSA COMUNIDADE SUÍNA

Acesso aos artigos em PDF
Informe-se com nossas newsletters
Receba a revista gratuitamente na versão digital

DESCUBRA
AgriFM - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería