UE exige documentação sobre o uso de antimicrobianos
Segundo analista da Safras & Mercado, não há motivos para pânico, porém, cabe ao governo brasileiro fortalecer o debate quanto à análise individual por parte da UE, dentro da realidade de cada setor de proteína animal

UE exige documentação sobre o uso de antimicrobianos
A decisão da União Europeia (UE) de manter o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco, anunciado na primeira semana de junho de 2026, gerou preocupação entre exportadores e produtores brasileiros. No entanto, entende-se que oneração, está relacionada à documentação sobre uso de antimicrobianos e procedimentos de comprovação regulatória do que a qualquer problema sanitário efetivo na produção nacional.
De acordo com Fernando Iglesias, analista e consultor da Safras & Mercado, não há registros de inconformidades sanitárias que justifiquem uma restrição ao produto brasileiro. Segundo ele, a exigência europeia está concentrada na demonstração documental e técnica dos mecanismos de controle sobre o uso de antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado
“A preocupação é válida, especialmente à suinocultura de corte, já que a União Europeia é um mercado relevante para a carne de suínos brasileira. Mas não se trata de uma situação que justifique o pânico. O Brasil tem capacidade técnica e institucional para atender às exigências e avançar nas negociações”, afirma o consultor.
Na avaliação de Iglesias, a suinocultura brasileira possue uma vantagem importante nesse processo, a integração produtiva e o forte controle sobre as etapas de produção. Segundo o especialista, a União Europeia busca evidências que comprovem a não utilização de determinados antimicrobianos proibidos pelo bloco. Nesse contexto, setores com cadeias mais organizadas e rastreáveis tendem a apresentar as informações requeridas com maior facilidade, ou seja, estuda-se a possibilidade das cadeias produtivas serem analisadas de forma individual, respeitando fatores técnicos e temporais de cada setor.
“O governo brasileiro conseguiu uma flexibilização que permitirá discutir a questão por segmentos produtivos. Cadeias como a avicultura de corte, a avicultura de postura e a suinocultura são menos fragmentadas e possuem sistemas de controle muito eficientes, o que facilita a apresentação das comprovações exigidas pelas autoridades europeias”, destaca Iglesias.
Essa característica diferencia aves e suínos da bovinocultura de corte, por exemplo, cuja cadeia é mais longa e pulverizada, envolvendo diferentes propriedades e etapas produtivas até o abate. Para Iglesias, justamente por essa razão, os maiores desafios tendem a se concentrar na pecuária bovina.
Embora a manutenção da restrição exija atenção dos exportadores, o entendimento predominante, segundo Iglesias, é que o episódio não altera os fundamentos de competitividade da proteína animal brasileira. Para produtores e exportadores, o momento exige acompanhamento das negociações e confiança na solidez dos programas sanitários nacionais.
Em posicionamento oficial, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ressaltou que a decisão da União Europeia não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema relacionado ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.
A entidade esclarece que o tema está ligado ao reconhecimento, por parte das autoridades europeias, dos sistemas oficiais de fiscalização e monitoramento adotados pelo Brasil. Em outras palavras, as negociações envolvem validação dos mecanismos de controle já existentes e não a ocorrência de falhas sanitárias.
A ABPA destaca que o Brasil possui um dos sistemas de produção animal mais robustos do mundo, sustentado por elevados padrões de rastreabilidade, biosseguridade, qualidade e segurança dos alimentos.
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