11 jun 2026

Exclusão da lista da UE acende alerta, mas não compromete competitividade da suinoculturabrasileira

Segundo analista da Safras & Mercado, não há motivos para pânico, porém, cabe ao governo brasileiro fortalecer o debate quanto à análise individual por parte da UE, dentro da realidade de cada setor de proteína animal

Exclusão da lista da UE acende alerta, mas não compromete competitividade da suinoculturabrasileira

UE exige documentação sobre o uso de antimicrobianos

A decisão da União Europeia (UE) de manter o Brasil fora da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco, anunciado na primeira semana de junho de 2026, gerou preocupação entre exportadores e produtores brasileiros. No entanto, entende-se que oneração, está relacionada à documentação sobre uso de antimicrobianos e procedimentos de comprovação regulatória do que a qualquer problema sanitário efetivo na produção nacional.

De acordo com Fernando Iglesias, analista e consultor da Safras & Mercado, não há registros de inconformidades sanitárias que justifiquem uma restrição ao produto brasileiro. Segundo ele, a exigência europeia está concentrada na demonstração documental e técnica dos mecanismos de controle sobre o uso de antimicrobianos ao longo de toda a cadeia produtiva.

Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado

 

“A preocupação é válida, especialmente à suinocultura de corte, já que a União Europeia é um mercado relevante para a carne de suínos brasileira. Mas não se trata de uma situação que justifique o pânico. O Brasil tem capacidade técnica e institucional para atender às exigências e avançar nas negociações”, afirma o consultor.

Cadeias integradas favorecem comprovação

Na avaliação de Iglesias, a suinocultura brasileira possue uma vantagem importante nesse processo, a integração produtiva e o forte controle sobre as etapas de produção. Segundo o especialista, a União Europeia busca evidências que comprovem a não utilização de determinados antimicrobianos proibidos pelo bloco. Nesse contexto, setores com cadeias mais organizadas e rastreáveis tendem a apresentar as informações requeridas com maior facilidade, ou seja, estuda-se a possibilidade das cadeias produtivas serem analisadas de forma individual, respeitando fatores técnicos e temporais de cada setor.

“O governo brasileiro conseguiu uma flexibilização que permitirá discutir a questão por segmentos produtivos. Cadeias como a avicultura de corte, a avicultura de postura e a suinocultura são menos fragmentadas e possuem sistemas de controle muito eficientes, o que facilita a apresentação das comprovações exigidas pelas autoridades europeias”, destaca Iglesias.

Essa característica diferencia aves e suínos da bovinocultura de corte, por exemplo, cuja cadeia é mais longa e pulverizada, envolvendo diferentes propriedades e etapas produtivas até o abate. Para Iglesias, justamente por essa razão, os maiores desafios tendem a se concentrar na pecuária bovina.

Embora a manutenção da restrição exija atenção dos exportadores, o entendimento predominante, segundo Iglesias, é que o episódio não altera os fundamentos de competitividade da proteína animal brasileira. Para produtores e exportadores, o momento exige acompanhamento das negociações e confiança na solidez dos programas sanitários nacionais. 

ABPA reforça confiança nos controles brasileiros

Em posicionamento oficial, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ressaltou que a decisão da União Europeia não decorre de qualquer questionamento sanitário, não conformidade ou problema relacionado ao uso de antimicrobianos na produção animal brasileira.

A entidade esclarece que o tema está ligado ao reconhecimento, por parte das autoridades europeias, dos sistemas oficiais de fiscalização e monitoramento adotados pelo Brasil. Em outras palavras, as negociações envolvem validação dos mecanismos de controle já existentes e não a ocorrência de falhas sanitárias.

A ABPA destaca que o Brasil possui um dos sistemas de produção animal mais robustos do mundo, sustentado por elevados padrões de rastreabilidade, biosseguridade, qualidade e segurança dos alimentos. 

UE exige documentação sobre o uso de antimicrobianos

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