17 fev 2022

Janeiro foi marcado por pior relação de troca da história da suinocultura

A queda do preço de venda do suíno vivo foi agravada pelo custo de produção ainda em alta. Como se não bastasse o aumento do valor da saca de milho, mesmo com a colheita da primeira safra em curso, mas com preços pressionados pela estiagem e quebra da produção na região sul, também o farelo de soja não para de subir, se aproximando dos 3 mil reais por tonelada em algumas praças. Confira o levantamento completo!

Janeiro foi marcado por pior relação de troca da história da suinocultura

Janeiro foi marcado por pior relação de troca da história da suinocultura

Em 10/02/22 o IBGE divulgou os resultados preliminares da pesquisa trimestral do abate de animais relacionados ao último trimestre de 2021. A produção total, em toneladas, de carcaças de suínos no ano passado superou em 8,91% a produção de 2020, totalizando 4.881.295 toneladas. Além disso, o número de cabeças abatidas também foi maior, com aumento de 7,13%, totalizando 52,86 milhões de cabeças.

 

CHR-HANSEN Ipvs 2022

A tabela 1 foi elabora por Iuri Pinheiro Machado e demonstra o crescimento da produção de suínos desde 2015 totalizando um aumento de 42,3% em toneladas de carcaças até 2021. A produção dos últimos dois anos chama a tenção! O crescimento ultrapassou 18%.

Tabela 1. – Crescimento da suinocultura brasileira de 2015 a 2020/21.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados do IBGE, Secex, Agriness, Mapeamento ABCS. *Dados de produção de 2021 provisórios (publicados pelo IBGE em 10/02/22).

Em janeiro de 2022 foram exportadas 12 mil toneladas a mais que janeiro de 2021 (+21,5%). Porém, os dados parciais de exportação de fevereiro/22, apurados pelo Secex até dia 11/02/22 (9 dias úteis) apresentam média de pouco mais de 3,1 mil toneladas por dia, contra 4 mil toneladas diárias em fevereiro do ano passado, indicando que não teremos, ao menos neste início de ano, crescimento significativo das exportações.

Mais preocupante é a queda do valor da tonelada exportada que em fevereiro de 2021 foi de US$ 2.425, e agora (fev/22) recuou para US$ 2.166, tornando o mercado de exportação menos atrativo, o que também contribui para a queda de preço no mercado doméstico (gráfico 1) em função de maior oferta.

Gráfico 1. Preço (R$) do kg carcaça suína especial em São Paulo nos últimos 30 dias, até dia 14/02/22.
Fonte: CEPEA

A queda do preço de venda do suíno vivo foi agravada pelo custo de produção ainda em alta. Como se não bastasse o aumento do valor da saca de milho, mesmo com a colheita da primeira safra em curso, mas com preços pressionados pela estiagem e quebra da produção na região sul, também o farelo de soja não para de subir, se aproximando dos 3 mil reais por tonelada em algumas praças. Essa combinação de baixo preço de venda e alto custo dos principais insumos determinou, segundo o CEPEA na primeira quinzena do ano, a pior relação de troca entre o suíno e o milho.

Segundo levantamento realizado pela ABCS junto as associações filiadas e parceiras, a relação de troca do suíno com o milho em janeiro/22 foi de 3,65 e com o farelo de soja foi de 2,11; a média das duas primeiras semanas de fevereiro indicaram um agravamento desta relação de troca do suíno com o milho e o farelo de soja, chegando a 3,29 e 1,90 respectivamente.

Como base de referência, de modo geral, considera-se como ideal, para que se tenha margem positiva na atividade, que 1 kg de suíno vivo seja suficiente para comprar ao menos 6 kg de milho ou, no mínimo 3,5 kg de farelo de soja.

Ou seja, o prejuízo contabilizado pela atividade neste início de ano é realmente assustador. Um levantamento de custo da EMBRAPA nos três estados do Sul, cruzados com o preço do suíno publicado pelo CEPEA, demonstra claramente esta situação na tabela 2.

Tabela 2. Custos totais (ciclo completo), preço de venda e lucro/prejuízo estimados nos três estados do Sul (R$/kg suíno vivo vendido), em 2021 e janeiro de 2022. Fonte: Embrapa (custos) e Cepea (preço).

Nota-se que o custo de produção de janeiro/22 é o maior, e o preço de venda é o menor nos 3 estados, em relação a todos os meses anteriores, determinando prejuízo de mais de 2 reais por kg produzido

A Conab divulgou no último dia 10, o quinto boletim de acompanhamento da safra de grãos do ano safra 2021/22. Para a safra de milho verão a estimativa de produção foi mantida em 24 milhões de toneladas, para a segunda safra de milho espera-se um incremento de 41,7% na produção em relação ao ciclo passado, projetada para 86 milhões de toneladas. Com isso, a produção total de milho ainda superaria 112 milhões de toneladas (tabela 3).

Tabela 3. Balanço de oferta e demanda de MILHO no Brasil. Dados da safra 2021/22 atualizados em 10/02/22, sendo estoque final previsto para 31/01. * 2021/22 previsão. Fonte: Conab

No levantamento da CONAB, a produção de soja projetada ficou em 125,47 milhões de toneladas, uma queda de 9,2% em relação à produção da safra passada e 10,7% inferior a estimativa publicada no boletim anterior (- 15,5 milhões de toneladas).

Por outro lado, o último relatório de oferta e demanda de grãos do USDA publicado no último dia 9 estima a safra brasileira de soja em 134 milhões de toneladas, valor 3,6% inferior aos dados divulgados no relatório anterior. As exportações brasileiras de soja também foram reduzidas neste relatório de 94 para 90,5 milhões de toneladas.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que:

“Este cenário de grãos, agravado por uma oferta elevada de carne suína indica pelo menos no primeiro semestre de 2022, um período de muitas dificuldades para o setor que já vem amargando prejuízos desde o início do ano passado. Apesar de uma boa expectativa com relação a segunda safra de milho, nada garante que teremos recuperação das margens neste ano. Daí a importância das entidades representativas e dos produtores de modo geral, junto ao poder público, buscarem recursos e alternativas para a prorrogação das dívidas e abertura de crédito de longo prazo, visando suportar este período desafiador. A ABCS tem trabalhado junto ao governo federal, solicitando medidas emergenciais que possam amenizar esse momento, além de trabalhar no incentivo ao consumo para fortalecer o mercado interno,diminuindo a dependência das exportações e escoando o excedente da produção”, finaliza.

Fonte: Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS)

Relacionado com Custos de produção

REVISTA SUÍNO BRASIL

Suscribete ahora a la revista técnica de avicultura

EDIÇÃO Revista SuínoBrasil 2º Trimestre 2022
IPVS 2022 novas perspectivas da suinocultura: biossegurança, produtividade e inovação

IPVS 2022 novas perspectivas da suinocultura: biossegurança, produtividade e inovação

Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida
Intestino, o maior órgão imune do organismo – Parte 1

Intestino, o maior órgão imune do organismo – Parte 1

Cândida Azevedo Henrique Cancian
Complexos multi-enzimáticos melhoram a digestibilidade e desempenho nos suínos

Complexos multi-enzimáticos melhoram a digestibilidade e desempenho nos suínos

Equipe Adisseo
Diversidade microbiana intestinal de suínos e quadros de disenteria suína

Diversidade microbiana intestinal de suínos e quadros de disenteria suína

Amanda G. S. Daniel Roberto M. C. Guedes
Nutrição sustentável de suínos

Nutrição sustentável de suínos

Carlos Alexandre Granghelli Cristiane Soares da Silva Araújo Lúcio Francelino Araújo Luiz Antônio Vitagliano
Rotavirose suína: epidemiologia, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico e controle da doença

Rotavirose suína: epidemiologia, patogenia, sinais clínicos, diagnóstico e controle da doença

João Paulo Zuffo Jônatas Wolf Ricardo Yuiti Nagae
Encontro Regional ABRAVES-PR 2022

Encontro Regional ABRAVES-PR 2022

Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche

Avaliação da eficácia de um inativador de micotoxinas frente a um adsorvente em leitões na fase de creche

Equipe técnica de suínos da Vetanco
A evolução da suinocultura brasileira e a  importância da realização do 10º IPVS (International Pig Veterinary Society) em 1988

A evolução da suinocultura brasileira e a importância da realização do 10º IPVS (International Pig Veterinary Society) em 1988

Luciano Roppa
A vida intrauterina pode influenciar o desenvolvimento gastrointestinal dos suínos?

A vida intrauterina pode influenciar o desenvolvimento gastrointestinal dos suínos?

Ana Luísa Neves Alvarenga Dias Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida Fernanda Radicchi Campos Lobato de Almeida Letícia Pinheiro Moreira Thais Garcia Santos
Fêmeas hiperprolíficas: existe manejo ideal durante a lactação?

Fêmeas hiperprolíficas: existe manejo ideal durante a lactação?

César Augusto Pospissil Garbossa
Desequilíbrio entre a oferta e demanda de carne suína e os impactos na rentabilidade do setor

Desequilíbrio entre a oferta e demanda de carne suína e os impactos na rentabilidade do setor

Wagner Yanaguizawa

JUNTE-SE À NOSSA COMUNIDADE SUÍNA

Acesso aos artigos em PDF
Informe-se com nossas newsletters
Receba a revista gratuitamente na versão digital

DESCUBRA
AgriFM - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería