Paridade materna e aditivos influenciam microbioma pós-desmame em suínos
A interação entre paridade e aditivos alimentares é um fator crítico que deve ser considerado como estratégias nutricionais para melhorar a saúde intestinal e desempenho na fase inicial de pós-desmame.

Paridade materna e aditivos influenciam microbioma pós-desmame em suínos
O período pós-desmame é um dos momentos de maior desafio na produção suína, marcado por redução de desempenho, maior incidência de distúrbios gastrointestinais e alterações no microbioma intestinal dos leitões. As práticas nutricionais e a condição das matrizes desempenham papel importante nesse processo. Entretanto, pouco se sabe sobre:
como a paridade da matriz influencia o microbioma intestinal da produção, e
como essa influência pode interagir com aditivos alimentares utilizados na fase de creche (pós-desmame).
A hipótese central do estudo foi que a paridade da matriz e a inclusão de aditivos alimentares (prebiótico e níveis farmacológicos de zinco e cobre) teriam efeitos combinados sobre a composição microbiana intestinal e o desempenho dos leitões no período pós-desmame.
Objetivos
O trabalho buscou:
Avaliar se há diferenças no microbioma intestinal e vaginal de matrizes segundo a paridade materna (primíparas vs. multíparas);
Determinar se a paridade materna afeta o microbioma fecal de leitões no desmame e durante o período pós-desmame (d0, d21 e d42 após desmame);
Investigar se aditivos alimentares (um prebiótico comercial e níveis farmacológicos de zinco e cobre) interagem com a paridade materna para alterar o microbioma e o desempenho dos leitões.
Material e métodos
Animais: 96 matrizes cruzadas (21 primíparas e 75 multíparas) e seus respectivos leitões (~600 leitões).
Tratamentos nutricionais dos leitões na creche (após o desmame aos ~21 dias):
Con (Controle): dieta padrão com níveis farmacológicos de Zn e Cu;
Preb: dieta contendo um prebiótico à base de Aspergillus oryzae sem Zn e Cu em níveis farmacológicos;
Preb + ZnCu: dieta com prebiótico + níveis farmacológicos de Zn e Cu.
As dietas foram aplicadas em quatro fases de alimentação até 42 dias pós-desmame. Foram coletadas amostras de microbioma intestinal (fecal) e vaginal, além de dados de desempenho (peso corporal, ganho de peso etc.).
Resultados
Não foram observadas diferenças significativas no microbioma vaginal entre matrizes primíparas e multíparas.
Diferenças foram identificadas no microbioma fecal das matrizes:
Primíparas apresentaram maior diversidade microbiana que as multíparas;
Certos gêneros bacterianos foram enriquecidos de forma diferente entre os grupos.

Esse resultado sugere que a paridade materna influencia o microbioma intestinal das matrizes, o que pode impactar a microbiota transmitida aos leitões.
Diferenças microbianas significativas foram observadas entre leitões de primíparas e multíparas, com maior diversidade em leitões de primíparas nos dias 0 e 21 após o desmame.
Quando analisados por tratamento alimentar, a dieta com prebiótico isolado (Preb) mostrou maior impacto sobre a composição da microbiota quando comparada à dieta controle ou à combinação com Zn e Cu.
A influência do prebiótico nos microbiomas foi diferenciada pela paridade materna, especialmente nos dias 21 e 42 pós-desmame.
A combinação de prebiótico com Zn e Cu (Preb + ZnCu) mostrou menor ganho de peso geral em leitões comparado ao controle, sugerindo que níveis farmacológicos desses minerais podem interferir negativamente nos efeitos do prebiótico.
Leitões de mães multíparas geralmente apresentaram melhor desempenho e perfil microbiano mais estável do que os de primíparas, principalmente na presença de aditivos.
Esses achados reforçam que a resposta dos leitões a aditivos alimentares não é uniforme e depende da paridade materna, com implicações práticas claras para formulações nutricionais em granjas.

Conclusões
A paridade materna influencia significativamente o microbioma intestinal dos leitões no período pós-desmame, com impactos no desempenho e na diversidade microbiana.
A inclusão de prebióticos pode modular a microbiota intestinal, mas seus efeitos são condicionados pela presença de minerais em níveis farmacológicos e pela paridade materna.
A interação entre paridade e aditivos alimentares é um fator crítico que deve ser considerado como estratégias nutricionais para melhorar a saúde intestinal e desempenho na fase inicial de pós-desmame.
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O artigo completo está disponível em Open-Acess pelo link https://link.springer.com/article/10.1186/s40104-024-00993-x?utm_source
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