19 ago 2026

Mais leitões ou leitões viáveis? O próximo desafio da suinocultura começa antes do desmame

Especialistas da Biochem discutem como transformar o avanço genético em viabilidade, uniformidade e longevidade das matrizes, com estratégias nutricionais voltadas à saúde intestinal, prevenção e retorno sobre o investimento.

Mais leitões ou leitões viáveis? O próximo desafio da suinocultura começa antes do desmame

Ciência transforma prolificidade em leitões viáveis, pós desmame

A estrutura do estúdio Conexão Nucleovet, montado durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS) em parceria com a agriNewsBrasil, recebeu Murilo Mora de Assis e Renato Delgado Barbosa, da equipe da Biochem, para discutir um dos desafios que acompanha o avanço da genética suína: produzir mais leitões sem perder viabilidade, uniformidade e desempenho.

A prolificidade aumentou. E agora?

O avanço genético elevou significativamente o número de nascidos vivos, mas também ampliou a ocorrência de leitões de menor peso e viabilidade. Para Murilo, o próximo ganho não está apenas em aumentar o tamanho das leitegadas, mas em preparar a matriz para sustentar nutricional e fisiologicamente esse potencial.

“A gente entra nesse impasse: vou aumentar o número de leitões, porém, como vou lidar com esse número cada vez maior de leitões pequenos? O objetivo é que, ao desmame, esses animais não somente cheguem vivos, mas viáveis”, destacou.

Nesse contexto, colostro, produção de leite, saúde intestinal, ambiência e controle do estresse oxidativo passam a fazer parte da mesma equação.

Matriz precisa entregar resultado por mais tempo

Para Renato, a produtividade da fêmea também precisa ser analisada sob a perspectiva da longevidade. Uma matriz com alto potencial genético precisa permanecer tempo suficiente no plantel para que o investimento em genética seja recuperado.

Problemas de aprumos, casco e estresse podem reduzir a permanência da fêmea e encurtar seu ciclo produtivo. É nesse cenário que a Biochem posiciona o BCH Organic Mix, blend de microminerais que reúne minerais orgânicos, selênio, cromo, iodo e cobalto.

Segundo os especialistas, a estratégia pode ser utilizada em diferentes fases, da preparação da marrã à gestação e lactação, além de creche e terminação, com ajustes de acordo com a formulação e os objetivos nutricionais da granja.

Microbiota como parte da prevenção

Outro eixo abordado foi o Tecnospor, probiótico à base de Bacillus coagulans. A proposta é modular a microbiota intestinal, reduzindo a prevalência de bactérias potencialmente patogênicas e favorecendo microrganismos benéficos.

Em trabalhos citados por Murilo, a utilização do produto em leitões na creche esteve associada à redução da presença de E. coli, melhora dos escores de fezes e respostas relacionadas ao equilíbrio intestinal. No campo, os principais indicadores observáveis são diarreia, ganho de peso e conversão alimentar.

A estratégia ganha relevância diante da necessidade de reduzir o uso de antimicrobianos sem abrir mão do controle sanitário.

Colostro como suporte aos leitões pequenos

A entrevista também apresentou o Bimulac® Pre solução que combina colostro bovino em pó, microminerais orgânicos, pré e probióticos e ovo em pó.

A proposta não é substituir o colostro materno, mas oferecer suporte adicional aos leitões nos primeiros dias de vida. As imunoglobulinas podem contribuir para a proteção intestinal, enquanto fatores de crescimento, minerais e componentes nutricionais buscam apoiar o desenvolvimento e a absorção de nutrientes. A expectativa é reduzir desafios como diarreia e tratamentos e favorecer leitões mais uniformes e saudáveis ao desmame.

Tecnologia precisa se pagar

Para os especialistas, independentemente da solução utilizada, o critério final precisa ser econômico. Testes de campo, adaptação às condições brasileiras e avaliação de retorno sobre o investimento são considerados fundamentais para determinar a permanência de uma tecnologia no programa nutricional.

“Todo produto que entra a gente busca o ROI dele. Ele tem que se pagar, tem que se pagar independentemente da estratégia: precisa ser economicamente viável”, afirmou Renato.

A lógica apresentada pela Biochem é integrar genética, nutrição, saúde, manejo e prevenção para que o potencial produtivo do animal seja convertido em resultado ao longo de toda a cadeia.

Entrevista completa 

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