Por redação suínoBrasil.
PPM 2025 aponta 44 milhões de animais no país; para analista Fernando Iglesias, investimentos em genética, manejo e eficiência ajudam a explicar por que o setor consegue ampliar a produção sem crescimento proporcional do plantel.

Por redação suínoBrasil.
O Brasil encerrou 2025 com 43,99 milhões de suínos, segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa alta de apenas 0,5% sobre o efetivo de 2024, que era de 43,76 milhões de animais. O total de fêmeas reprodutoras também permaneceu praticamente estável, em torno de 5 milhões de cabeças.
Apesar da estabilidade do rebanho, o dado não significa estagnação da suinocultura brasileira. A leitura, segundo o analista de mercado Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, precisa considerar uma transformação que vem ocorrendo dentro das granjas: o aumento da produtividade.
“O número do IBGE é bastante emblemático em relação à suinocultura, porque, apesar de o rebanho apresentar uma aparente estabilidade, o que nós temos que abordar aqui é o salto da produtividade média.”
Para Iglesias, os resultados estão relacionados ao ciclo de maior rentabilidade observado pelo setor nos últimos anos, que criou condições para investimentos em diferentes áreas da produção.
“Nos anos de muita rentabilidade que o setor experimentou em 2024, 2025, foram momentos em que o investimento em rentabilidade, em produtividade, em genética, melhora do manejo, melhora de outros aspectos da produção acabou gerando desdobramentos muito positivos”, explica Fernando.
A diferença entre o tamanho do plantel e a capacidade de produção é o principal ponto de atenção na leitura dos dados da PPM.
O efetivo suíno passou de 43.761.696 animais em 2024 para 43.993.601 em 2025, crescimento de aproximadamente 231,9 mil cabeças. Em termos relativos, a variação foi de apenas 0,5%.
Ao mesmo tempo, os indicadores de abate mostram uma expansão mais significativa da atividade. Em 2025, o Brasil bateu recorde histórico no abate de suínos, registrando um total de 60,69 milhões de cabeças abatidas, segundo dados oficiais do IBGE, enquanto o volume produzido chegou a 5,592 milhões de toneladas, mantendo o Brasil entre os principais players globais do segmento, segundo dados da ABPA.
Mas não se pode esquecer uma importante observação: O cálculo efetivo da PPM é um estoque em determinado momento, enquanto o abate contabiliza o fluxo de animais abatidos ao longo do ano.

Fonte: ABPA.
Leia na íntegra o RELATÓRIO ANUAL 2026: ABPA
O contraste é importante: se o número de animais existentes no rebanho cresce pouco, mas o volume produzido avança em ritmo superior, parte da explicação precisa ser buscada na eficiência do sistema produtivo. É justamente essa mudança que Iglesias destaca.
“Então o rebanho brasileiro hoje é muito mais produtivo, tem uma genética muito superior quando nós comparamos com aquilo que era realidade na suinocultura brasileira no início dessa década. Então é um ambiente completamente diferente”, pontua Iglesias.
A evolução não está concentrada em um único fator. Genética, manejo, nutrição, sanidade, instalações e gestão passaram a atuar conjuntamente para elevar o desempenho dos animais e das matrizes.
A consequência dessa evolução é uma mudança na relação entre tamanho do rebanho e capacidade produtiva.
“Muitas vezes, dentro de um rebanho, você não vai precisar necessariamente da mesma quantidade de animais que você tinha no passado ou até mesmo não apresentar crescimento para que, de fato, isso seja traduzido em maior produção”, disse o analista do Safras & Mercado.
Na prática, isso significa que uma granja pode ampliar sua produção sem necessariamente aumentar na mesma proporção o número de animais mantidos no sistema.
O resultado pode vir de diferentes pontos: maior eficiência reprodutiva, mais leitões produzidos por matriz, melhor conversão alimentar, maior ganho de peso, redução da mortalidade e melhor aproveitamento da estrutura produtiva.

Essa é uma distinção importante para interpretar os números do IBGE. A PPM registra o efetivo existente no município e no país, mas o tamanho do rebanho em determinado momento não representa, sozinho, a capacidade de produção de carne ao longo de todo o ano.

Crédito: Relatório Anual 2026 – ABPA.
A evolução observada por Iglesias também está relacionada ao ambiente econômico vivido pela atividade. Depois de períodos de margens mais favoráveis, produtores tiveram maior capacidade de investir em genética, instalações, equipamentos e melhorias de manejo.
“Nos anos de muita rentabilidade que o setor experimentou em 2024, 2025, foram momentos em que o investimento (…) acabou gerando desdobramentos muito positivos”, explica Fernando.
O efeito desses investimentos não necessariamente aparece de forma imediata no tamanho do rebanho. Em genética e estrutura produtiva, por exemplo, decisões tomadas em determinado período podem gerar ganhos durante vários ciclos. É por isso que a estabilidade do plantel em 2025 precisa ser analisada em conjunto com os indicadores de produção e desempenho.
Apesar da estabilidade nacional, a distribuição do rebanho continua concentrada em regiões tradicionalmente importantes para a suinocultura. Santa Catarina mantém a liderança entre os estados, enquanto Paraná e Rio Grande do Sul também apresentam forte participação no efetivo nacional.
A concentração regional também ajuda a entender onde estão os sistemas produtivos com maior escala e integração e, consequentemente, onde os investimentos em genética, nutrição, automação e gestão podem produzir impactos relevantes sobre a produtividade.
O avanço da produtividade muda também a forma como o setor precisa pensar seu crescimento. Para Iglesias, o cenário atual é resultado de uma transformação acumulada ao longo dos últimos anos, e não apenas de uma variação pontual do rebanho. “Então é um ambiente completamente diferente.”
A afirmação resume uma mudança importante: a competitividade da suinocultura brasileira passa cada vez menos pela simples expansão do número de animais e mais pela capacidade de produzir com eficiência.
Essa evolução, porém, precisa ser sustentada. Para o produtor, isso significa manter investimentos em genética, nutrição, sanidade, manejo e tecnologia mesmo em momentos de margens mais estreitas. Os dados da PPM 2025, portanto, contam apenas uma parte da história. O Brasil tinha praticamente o mesmo número de suínos em 2025 que no ano anterior, mas o sistema produtivo que existe dentro desse rebanho é diferente.
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