08 set 2026

Dados parados, diagnóstico tardio e decisões reativas desafiam a sanidade suína

Especialistas defendem uma mudança de lógica na gestão sanitária: menos decisões baseadas em um único laudo e mais integração entre dados, diagnóstico, produtores, laboratórios e pesquisa.

Dados parados, diagnóstico tardio e decisões reativas desafiam a sanidade suína

Mais exames, mais tecnologia e uma quantidade crescente de informações não têm sido suficientes para impedir que parte da suinocultura brasileira continue tomando decisões quanto à sanidade suína somente depois que o problema aparece. Para os médicos-veterinários Everson Zotti, especialista em sanidade suína, e Edison Magalhães, pesquisador em epidemiologia suína, o principal desafio está justamente em transformar diagnóstico, dados e conhecimento em uma estratégia coordenada, antes que a doença se manifeste de forma evidente.

Durante o 18º Simpósio Brasil Sul de Suinocultura (SBSS), realizado pelo Nucleovet, os especialistas discutiram, em entrevista ao estúdio da agriNews Brasil e suínoBrasil, os gargalos que ainda limitam a inteligência sanitária das granjas e os aprendizados que podem vir da experiência norte-americana.

O problema começa antes do tratamento

Para Zotti, um dos maiores entraves está na própria estrutura de diagnóstico, especialmente na maternidade. Segundo ele, ainda existem situações em que o produtor não sabe sequer qual laboratório é o mais adequado para determinada análise ou recebe um resultado limitado a “positivo ou negativo”.

“Então a gente começa com uma coisa tão simples que é a questão do diagnóstico”, destacou.

O problema se agrava quando a coleta acontece apenas após o surgimento de um quadro clínico. Nesse cenário, o resultado de uma única amostra pode acabar direcionando toda a tomada de decisão, sem considerar histórico, momento da coleta ou outras informações do sistema.

O laudo não conta a história inteira

Edison Magalhães reforça que interpretar um resultado isoladamente pode levar a decisões equivocadas. A coleta tardia, inclusive após intervenções terapêuticas, pode alterar completamente aquilo que será encontrado no laboratório.

“Não é só positivo e negativo”, afirmou o pesquisador, ao defender uma interpretação mais ampla dos resultados.

Para os especialistas, o diagnóstico precisa fazer parte de um protocolo contínuo, capaz de acompanhar a evolução sanitária da granja e não apenas responder a uma emergência.

Dos dados parados à detecção precoce

É justamente nesse ponto que a tecnologia e a inteligência artificial podem mudar a lógica dos programas sanitários. Segundo Magalhães, muitas empresas já acumulam informações valiosas que permanecem subutilizadas. Indicadores como aborto semanal, consumo de água e ração podem alimentar modelos estatísticos capazes de identificar desvios e gerar alertas antes que um problema se torne evidente.

“Tem muita coisa sendo desenvolvida para o produtor ser mais proativo do que reativo”, explicou.

O diferencial dos Estados Unidos vai além da tecnologia

A experiência norte-americana, segundo os entrevistados, mostra que o avanço não depende apenas de equipamentos ou softwares. O diferencial está também na capacidade de compartilhar informações, integrar empresas, laboratórios, universidades e produtores e construir respostas coletivas.

“Os Estados Unidos trabalham a suinocultura como uma coletividade”, resumiu Zotti.

Para os especialistas, o Brasil não precisa copiar o modelo norte-americano, mas pode adaptar seus princípios à realidade nacional. O caminho passa por ampliar a interação entre os elos da cadeia, criar referências de diagnóstico e transformar dados em decisões mais rápidas e robustas.

Antes de decidir, é preciso conhecer a granja

Ao final da entrevista, a jornalista Prisicila Beck fez a seguinte pergunta: Se assumissem amanhã a gestão sanitária de uma granja desconhecida, os dois especialistas começariam pelo mesmo ponto: os entrevistados convergiram que se faz necessário conhecer respeitosamente todos os processos da granja e ouvir aqueles que estão lá a mais tempo.

“Você tem que ouvir mais do que falar”, afirmou Zotti. A recomendação resume a principal mensagem da entrevista: programas sanitários eficientes não começam necessariamente com uma coleta ou um tratamento, mas com o entendimento do sistema, das pessoas e da história sanitária.

A mudança, portanto, não seria apenas tecnológica. É também cultural: sair do imediatismo, organizar informações e construir uma inteligência sanitária capaz de antecipar problemas — antes que eles se transformem em mortalidade, condenações, maior uso de antimicrobianos e aumento do custo de produção.

Para sanidade suína avançar: diagnóstico e dados antecipados

Entrevista completa

Relacionado com Carne suína
Sectoriales sobre Carne suína

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

DESCUBRA
agriNews Play - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería

Manage Consent

To provide the best experiences, we use technologies like cookies...

Funcional (Necesarias)
Siempre activo
Estadísticas (Analytics)
Medición de audiencia.
Marketing (Ads)
Publicidad personalizada.