Com R$ 80 milhões em P&D, Agroceres Multimix lança agCare e mostra à suinocultura como transformar prolificidade em desmame

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Com R$ 80 milhões em P&D, Agroceres Multimix lança agCare e mostra à suinocultura como transformar prolificidade em desmame

A suinocultura aprendeu a conviver com leitegadas cada vez maiores. O que continua longe de ser trivial é transformar esse avanço em mais leitões efetivamente desmamados, sem ampliar a mortalidade pré-desmame nem aprofundar o desgaste da matriz

Foi nesse ponto sensível da maternidade que a Agroceres Multimix ancorou o recorte suíno do lançamento da agCare, nova divisão de especialidades da empresa, realizado em 5 de março, em Itatiba (SP).

Ao usar o Flavolac como case de sucesso, a companhia procurou mostrar que a nova divisão não nasce apenas como uma organização comercial de portfólio, mas como a vitrine de uma lógica de desenvolvimento baseada em dor de campo, validação técnica e resposta sob variabilidade de cenário.

Por trás dessa aposta, a empresa apresentou números que ajudam a dimensionar a escala da estrutura: 

  • – R$ 80 milhões investidos em Pesquisa & Desenvolvimento nos últimos cinco anos,
  • – 274 estudos científicos conduzidos e
  • – Cerca de 250 mil animais avaliados.

O avanço agora tem nome

Ao longo de sua apresentação, Ricardo Ribeiral, diretor da Agroceres Multimix, deixou claro que a criação da agCare não representa uma mudança repentina de rota, mas a formalização de um caminho construído ao longo dos últimos anos.

Segundo ele, a empresa ampliou progressivamente sua atuação em especialidades até consolidar um portfólio e uma estrutura capazes de sustentar o lançamento de uma divisão própria, com posicionamento mais claro para o mercado.

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Na prática, isso significa dizer que a Agroceres Multimix quer ser percebida não apenas como fornecedora de premixes, núcleos e concentrados, mas também como uma empresa apta a desenvolver soluções de maior complexidade, baseadas em ciência aplicada e voltadas a desafios específicos do campo. 

Em especialidades, esse recado importa porque o mercado cobra mais do que composição. Cobra previsibilidade de resposta, estabilidade de produto, repetibilidade de resultado e suporte técnico consistente. 

Esse discurso ganha ainda mais peso quando Ribeiral apresenta a base que sustenta a nova divisão. 

Além dos R$ 80 milhões investidos em P&D e dos 274 estudos científicos, ele destacou que o centro de pesquisa da companhia já avaliou cerca de 250 mil animais em seus trabalhos e que, nos últimos três anos, 80% dos estudos conduzidos estiveram ligados a especialidades. 

O objetivo da empresa, ao tornar essa estrutura mais visível, é deixar claro que a agCare não nasce como vitrine comercial, mas como desdobramento de uma capacidade técnica já construída internamente.

Por trás de uma especialidade

Parte importante do evento foi mostrar que o desenvolvimento de especialidades exige uma lógica diferente daquela aplicada a produtos convencionais. Esse ponto apareceu de forma clara nas falas de Tarley Araujo Barros, gerente de Pesquisa e Saúde Animal, e de Filipe Zanferari, responsável pela área de formulação e desenvolvimento.

Eles detalharam o nível de complexidade envolvido desde a identificação de uma necessidade de mercado até a entrega de uma solução pronta para uso. Tarley explicou que o processo começa muito antes da formulação final, envolvendo: 

Segundo ele, “a exigência sobre uma especialidade é maior porque ela precisa responder de forma consistente em diferentes condições de uso”, incluindo cenários mais próximos da realidade das granjas.

Esse rigor ajuda a sustentar o discurso da empresa de que especialidade, nesse contexto, não é apenas combinação de ativos, mas construção técnica orientada por problema real e resposta mensurável.

Filipe, por sua vez, aprofundou a discussão sobre variáveis menos visíveis, mas decisivas, no sucesso de uma especialidade. Em sua apresentação, mostrou que o desempenho de uma solução não depende apenas da escolha de ativos, mas também de fatores como:

Para a suinocultura, em que variações de processo, manejo e ambiente podem comprometer rapidamente a previsibilidade de resposta, esse ponto ganha relevância ainda maior.

Quase um leitão a mais na desmama

Se Ricardo, Tarley e Filipe ajudaram a mostrar a robustez da estrutura que sustenta a agCare, foi a apresentação de Felipe Ferreira que trouxe à suinocultura a prova prática mais clara do que essa lógica pode gerar em produto final.

O destaque foi o Flavolac, apresentado como um case de sucesso dentro do portfólio da empresa e usado no lançamento como evidência concreta da tese central da nova divisão.

Na validação conduzida pela Embrapa e pela Copérdia, em estudo com 251 fêmeas primíparas durante 21 dias, o Flavolac foi associado a:

  1. – Três quilos a menos de mobilização corporal,
  2. – 600 gramas a mais de leite por dia e
  3. – 6,5 quilos a mais na leitegada, que passou de 77,5 para 84 quilos. 

Na leitura apresentada no evento, esse ganho equivale praticamente a um leitão a mais em peso de leitegada ao desmame.

Os primeiros resultados mostrados pela empresa já apontavam respostas relevantes. O uso do produto foi associado a:

  1. – 4,86 quilos a mais na leitegada desmamada,
  2. – Meio quilo a mais de leite por dia e
  3. – Um ponto percentual a menos de mortalidade pré-desmame. 

O case incluiu ainda validação em operação da JBS nos Estados Unidos, em Dalhart, no Texas, em estudo que deu origem a uma dissertação de mestrado na Kansas State University. Segundo Felipe, nessa condição, o produto foi associado a:

Ao consolidar cerca de dez anos de estudos, a base apresentada pela empresa reuniu mais de duas mil matrizes avaliadas, com média de 6% a mais na produção de leite, 7% a mais no peso da leitegada desmamada e quase 10% menos mortalidade pré-desmame, em diferentes ordens de parto, materiais genéticos e programas nutricionais.

Esses resultados ajudam a explicar por que o Flavolac foi levado ao lançamento da agCare como mais do que um produto de portfólio. O case foi apresentado como resposta a uma pergunta que fala diretamente à realidade das granjas: 

Como sustentar o avanço da prolificidade sem ampliar, na mesma proporção, as perdas ao longo da maternidade?

Prolificidade não garante desmame

Ao organizar sua apresentação, Felipe mostrou que a suinocultura evoluiu fortemente em produtividade, com mais nascidos e maior pressão por eficiência, mas que esse ganho não elimina o gargalo que separa o nascimento do desmame. 

Ao contrário, à medida que as leitegadas se tornam mais numerosas, cresce também a exigência sobre a matriz, sobre o manejo e sobre o ambiente, e é justamente nesse intervalo que parte importante da conta produtiva aparece.

A leitura apresentada pela empresa é a de que não basta comemorar o aumento do número de leitões nascidos, se uma parcela relevante desse potencial se perde antes do desmame. 

A mortalidade pré-desmame segue como um dos pontos mais sensíveis da maternidade, e o problema se conecta diretamente à capacidade da fêmea de sustentar leitegadas mais exigentes sem intensificar excessivamente sua mobilização corporal.

Segundo Felipe, a empresa identificou, a partir de análises internas, que uma parcela importante da remoção de leitões da leitegada estava associada à insuficiência de produção de leite da matriz. 

A partir desse diagnóstico, o desenvolvimento do produto buscou atuar justamente sobre esse elo crítico, com a proposta de aumentar a produção de leite, sustentar melhor o desempenho da leitegada e reduzir perdas sem ampliar o desgaste da fêmea.

O valor desse recorte está justamente em como ele reorganiza a conversa sobre produtividade. 

O ganho não aparece apenas como desempenho adicional de um produto, mas como resposta a uma conta biológica e econômica que se tornou cada vez mais pesada dentro da maternidade.

Quando a fêmea precisa sustentar leitegadas maiores sob variabilidade de consumo, manejo e ambiente, qualquer estratégia que ajude a preservar condição corporal, aumentar produção de leite e reduzir perdas passa a ter impacto direto sobre o resultado do sistema.

Lastro técnico

No conjunto, o lançamento da agCare foi estruturado para transmitir ao mercado a ideia de que especialidades exigem ciência, método e escala. E, no recorte da suinocultura, a empresa conseguiu sustentar esse discurso ao combinar números institucionais expressivos, explicação técnica do processo de desenvolvimento e um case ancorado em uma dor concreta da maternidade.

Para a Agroceres Multimix, a nova divisão agCare surge como forma de organizar e tornar mais visível uma capacidade que, segundo a própria empresa, já vinha sendo construída internamente. Para o setor suinícola, o movimento indica que a companhia quer disputar espaço em um campo no qual não basta lançar produtos, mas provar que há estrutura para desenvolvê-los, validá-los e sustentá-los tecnicamente.

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