11 ago 2026

Exportações de carne suína avançam, mas preços pressionados limitam crescimento da receita

Brasil embarcou 131,5 mil toneladas em julho, alta de 3,7% sobre o mesmo mês de 2025, mas o produtor ainda não vê o retorno na precificação.

Exportações de carne suína avançam, mas preços pressionados limitam crescimento da receita

As exportações brasileiras de carne suína mantiveram trajetória de crescimento em julho, mas os números divulgados nesta segunda-feira (10) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revelam um cenário que merece atenção, o país está embarcando mais, porém a receita não cresce na mesma proporção. Em julho, foram exportadas 131,5 mil toneladas, alta de 3,7% em relação às 126,8 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025. A receita, entretanto, recuou 5,6%, passando de US$ 316,1 milhões para US$ 298,3 milhões.

O comportamento indica pressão sobre o valor médio obtido por tonelada exportada. Em julho deste ano, o valor médio ficou próximo de US$ 2,27 mil por tonelada, abaixo dos cerca de US$ 2,49 mil registrados no mesmo mês do ano passado.

Para Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, o movimento está relacionado ao ambiente internacional de preços pressionados, especialmente ao comportamento do mercado chinês, que continua tendo influência relevante sobre a formação dos preços globais de carne suína.

“Temos um cenário de preços globais deprimidos em algumas regiões importantes, a exemplo da própria China. A China tem uma grande dificuldade de ver uma evolução dos seus preços na suinocultura e isso acaba travando o mercado global”, explica o analista.

O efeito aparece também no resultado acumulado do ano. Entre janeiro e julho, o Brasil embarcou 925,6 mil toneladas de carne suína, crescimento de 9,1% sobre as 848,8 mil toneladas registradas no mesmo período de 2025. A receita, porém, avançou em ritmo menor, de 5,8%, alcançando US$ 2,158 bilhões, ante US$ 2,040 bilhões no ano passado.

O cenário reforça uma característica importante do mercado brasileiro em 2026: as exportações vêm funcionando como um importante canal de escoamento da produção em um momento de pressão sobre o mercado doméstico, mas o aumento dos embarques ainda não significa, necessariamente, recuperação proporcional da remuneração ao longo da cadeia.

O desempenho externo ocorre em paralelo a um cenário de preços pressionados no mercado interno. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) já vinham apontando queda significativa nas cotações do suíno vivo. Em junho, o indicador SP-5 registrou média de R$ 5,25/kg, recuo de 2,9% em relação a maio e de 41,2% na comparação com junho de 2025.

Nesse contexto, ampliar o volume exportado ganha importância para a suinocultura brasileira, principalmente por permitir retirar parte da oferta do mercado doméstico. O recorde de embarques registrado no primeiro semestre já havia apontado para esse movimento, com as exportações funcionando como uma alternativa diante da combinação entre oferta elevada e demanda interna enfraquecida.

Diversificar é preciso

Mas, além de exportar mais, o Brasil também está exportando para um conjunto mais amplo de mercados. Em julho, as Filipinas foram o principal destino da carne suína brasileira, com 20,3 mil toneladas, seguidas pelo Japão, com 18,4 mil toneladas, e pelo Chile, com 13,9 mil toneladas. A China apareceu na quarta posição, com 9,1 mil toneladas. Na sequência vieram Argentina, com 6,5 mil toneladas; México, com 6,3 mil toneladas; e Hong Kong e Uruguai, ambos com 6,2 mil toneladas.

A composição da pauta chama atenção porque mostra uma participação mais distribuída entre diferentes compradores. A China continua sendo um mercado relevante, mas deixou de concentrar a maior parcela dos embarques, enquanto destinos asiáticos e latino-americanos ampliam sua presença.

Para Iglesias, essa diversificação já representa uma mudança significativa para a suinocultura brasileira.

“Já temos uma mudança bem importante para a suinocultura brasileira. O mercado está mais diverso, as aberturas de mercado estão fazendo efeito, estão surtindo efeito. E dessa forma que nós estamos observando é o Brasil com vendas bastante pulverizadas, conseguindo aí uma melhor diversidade dentre os seus importadores”, afirma.

A avaliação ganha peso diante de um mercado internacional sujeito a mudanças sanitárias, comerciais e geopolíticas. Quanto maior o número de destinos consolidados, menor tende a ser a dependência do setor em relação ao desempenho de um único comprador e maior a capacidade de redirecionar os embarques diante de mudanças de demanda ou de restrições comerciais.

O avanço do Japão é um exemplo desse processo. O país recebeu 18,4 mil toneladas de carne suína brasileira em julho, ficando atrás apenas das Filipinas. Em junho, os embarques brasileiros para o mercado japonês já haviam apresentado crescimento expressivo na comparação anual.

A estratégia de diversificação também aparece na expansão de mercados como Argentina, México, Peru e África do Sul, que passam a contribuir para uma pauta exportadora mais pulverizada.

Sul do Brasil eleva liderança em exportações 

No recorte por estado, Santa Catarina manteve a liderança das exportações brasileiras de carne suína em julho, com 64,6 mil toneladas, alta de 0,2% em relação ao mesmo mês de 2025. O Rio Grande do Sul ficou em segundo lugar, com 29,4 mil toneladas, também crescimento de 0,2%.

O Paraná foi o destaque entre os principais estados exportadores, com 21,7 mil toneladas e avanço de 15,3%. Minas Gerais embarcou 4,2 mil toneladas, alta de 24,4%, enquanto Mato Grosso exportou 3,8 mil toneladas, crescimento de 35,7%.

Os números estaduais mostram que, embora Santa Catarina continue concentrando uma parcela expressiva das exportações brasileiras, outros polos produtores também ampliam sua participação no mercado externo.

Com o resultado de julho, o Brasil se aproxima da marca de 1 milhão de toneladas exportadas em 2026. O desempenho acumulado até agora mantém o setor em ritmo superior ao registrado no ano passado, mas o cenário internacional indica que o desafio não será apenas ampliar volumes.

Rememoração

Para um entendimento mais amplo e analítico do cenário real das exportações da carne suína brasileira, a redação da suínoBrasil compilou as últimas públicações sobre o tema:

Mesmo com restrições da UE, ABPA reforça confiança na biosseguridade e aposta na retomada das exportações

Segundo Cepea, preço do suíno vivo cai pelo sexto mês

Exportações de carne suína registram recorde no primeiro semestre de 2026

Exportações de carne suína mantém alta

Rússia reconhece novo status sanitário do Brasil

 

Vendas em alta. Precificação em declínio

A questão central para os próximos meses será saber em que medida o crescimento das exportações poderá contribuir para melhorar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado brasileiro e, consequentemente, ajudar na recuperação dos preços ao produtor. De um lado, a suinocultura brasileira demonstra capacidade de ampliar sua presença internacional, conquistar novos mercados e reduzir a concentração dos embarques. De outro, os preços globais pressionados limitam a conversão desse crescimento em receita e rentabilidade.

Assim, o desempenho das exportações em 2026 apresenta duas faces, o Brasil está vendendo mais carne suína ao mundo, mas ainda precisa transformar o aumento dos volumes e a diversificação dos destinos em maior valorização do produto e melhores condições para toda a cadeia produtiva.

Fonte: Redação suínoBrasil.

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