Produtividade evitou 8,9 milhões de partos e muda a conversa sobre sustentabilidade na suinocultura
No SINSUI, José Henrique Piva (PIC) afirmou que o ganho de produtividade evitou 8,9 milhões de partos nos EUA e redefiniu a sustentabilidade na suinocultura. O foco da próxima década será reduzir variação, melhorar eficiência e fortalecer sanidade e gestão.

Produtividade evitou 8,9 milhões de partos e muda a conversa sobre sustentabilidade na suinocultura
A produtividade acumulada nas últimas décadas mudou a escala da suinocultura e também a forma de discutir sustentabilidade. No Simpósio SINSUI-ELANCO de Sanidade de Suínos, José Henrique Piva, da PIC, apresentou um dado que resume essa transformação: para produzir volume equivalente de carne suína nos Estados Unidos em 2024 com a tecnologia dos anos 1990, seriam necessários 8,9 milhões de partos adicionais.
A próxima disputa será variar menos
Apesar dos ganhos, a palestra não apresentou um cenário confortável. Piva situou a suinocultura global em uma atividade de margem estreita, exposta à volatilidade de preços, custos de grãos, mão de obra, juros, sanidade e ciclos mais longos de ganhos e perdas. Nesse ambiente, produzir mais continuará importante, mas reduzir variação será cada vez mais decisivo.
A tendência apontada é de sistemas mais padronizados, com maior previsibilidade de entrega, melhor janela de peso ao abate, processos mais disciplinados e integração maior entre produção, indústria e mercado. A comparação com movimentos já observados na avicultura de corte ajuda a entender a direção: menos dispersão, mais controle e maior coordenação da cadeia.
Sanidade segue como divisor de competitividade
Piva também destacou que doenças continuarão entre os principais fatores de risco para a produção e comercialização de suínos em todos os continentes. A sanidade aparece como condição de competitividade, não apenas como custo. Monitoramento, biossegurança, filtragem de ar, compartilhamento de informações, auditorias e processos bem executados passam a fazer parte da estrutura de diferenciação dos sistemas.
Esse ponto dialoga diretamente com a realidade brasileira e latino-americana. A vantagem competitiva das Américas depende de grãos, custos, exportação e escala, mas também de sanidade protegida, logística, acesso a mercados e capacidade de responder rapidamente a riscos.
Mão de obra e liderança entram no centro do sistema
Outro eixo da apresentação foi a mão de obra. Piva mostrou que granjas maiores exigirão novas formas de liderança, ambientes de trabalho melhores, segurança, organização, treinamento e processos capazes de reduzir dependência de tarefas pouco atrativas. A tecnologia aparece como ferramenta, mas não como solução automática.
A mensagem é que sistemas maiores não se sustentam apenas com instalações modernas. Precisam de pessoas bem conduzidas, rotinas claras, liderança presencial e cultura de execução. Segundo Piva, liderar pelo exemplo, reforça que a produtividade futura dependerá também de gestão humana.
Tecnologia útil será a que resolver problema concreto
Na visão apresentada, novas tecnologias serão avaliadas por sua capacidade de melhorar biossegurança, bem-estar, controle de pessoas, eficiência, uso da água, mão de obra e rotinas críticas. Nem todas serão viáveis, aplicáveis ou economicamente sustentáveis.
Essa é uma régua importante para a próxima década. Em uma atividade capitalista, de margem pressionada e com ganhadores e perdedores, inovação só terá valor quando reduzir risco, custo, variação ou perda. O dado dos 8,9 milhões de partos evitados mostra o poder da produtividade acumulada. Mas o próximo salto dependerá de disciplina para transformar eficiência em rotina repetível.
Leia também: O que a suinocultura ainda não mede pode custar mais caro do que o que ela já sabe produzir
José Henrique Piva no SINSUI mostra como produtividade redefine sustentabilidade na suinocultura e reduz necessidade de partos.
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