20 maio 2026

Genética de ponta pode virar desperdício quando a granja não acompanha o manejo

Rodrigo Moreira defendeu no SINSUI que o avanço da suinocultura latino-americana dependerá menos de buscar apenas mais prolificidade e mais da capacidade de transformar genética, reprodução, sanidade, nutrição e manejo em resultado diário.

Genética de ponta pode virar desperdício quando a granja não acompanha o manejo

Rodrigo Moreira defendeu no SINSUI que o avanço da suinocultura latino-americana dependerá menos de buscar apenas mais prolificidade e mais da capacidade de transformar genética, reprodução, sanidade, nutrição e manejo em resultado diário.

Genética de ponta pode virar desperdício quando a granja não acompanha o manejo

A suinocultura latino-americana não será vencida apenas por quem tiver acesso à melhor genética, mas por quem conseguir transformar esse potencial em resultado dentro da granja. Essa foi a mensagem central da palestra de Rodrigo Moreira, da MBRF/BRF, no Simpósio SINSUI-ELANCO de Sanidade de Suínos.

Ao discutir as expectativas para a produção de suínos na próxima década, Rodrigo deslocou o debate da promessa genética para a execução operacional. Genômica, reprodução de precisão, seleção para robustez, resistência, habilidade materna e eficiência seguirão avançando. Mas, se manejo, nutrição, sanidade, pessoas e protocolos não acompanharem, a genética de ponta pode virar desperdício.

De mais leitões para melhores leitões

Um dos eixos mais fortes da apresentação foi a transição da lógica de “mais leitões” para “melhores leitões”. O futuro não estará apenas em aumentar prolificidade, mas em melhorar viabilidade, peso ao nascer, robustez, adaptação ao clima, habilidade materna e capacidade de reduzir perdas até as fases seguintes.

Essa mudança é importante porque a hiperprolificidade, quando não acompanhada por manejo adequado, pode aumentar a distância entre potencial e resultado. A granja que recebe genética superior precisa ter estrutura, rotina, equipe e integração técnica para capturar esse ganho. Caso contrário, o avanço genético aparece nos indicadores de origem, mas se perde em mortalidade, baixo peso, desuniformidade, falhas de manejo ou subutilização da matriz.

O gargalo passa a ser operacional

Rodrigo apresentou a próxima década como um período em que o gargalo pode deixar de ser genético e passar a ser operacional. Isso significa que a vantagem competitiva dependerá menos de uma única tecnologia e mais da integração entre áreas. Reprodução, genética, nutrição, sanidade, bem-estar e gestão de pessoas precisam responder ao mesmo objetivo produtivo.

O conceito de lifetime productivity da matriz, o uso de inseminação artificial pós-cervical, a avaliação de células úteis, a detecção de cio com sensores e câmeras, a sincronização de precisão e a busca por menor uso excessivo de antimicrobianos foram alguns pontos apresentados como parte dessa agenda. Não são ferramentas isoladas. São peças de um sistema que precisa executar melhor.

Eficiência também muda a conta ambiental

A palestra também conectou desempenho a sustentabilidade. Segundo Rodrigo, conversão alimentar é uma das principais ferramentas de sustentabilidade, porque menos grãos significam menos área, menos emissões e menor pressão sobre recursos. Ao traduzir pequenos desvios em exemplos de escala, como viagens adicionais de caminhões de ração ou maior volume de mortalidade, o palestrante mostrou que indicador zootécnico também é indicador ambiental.

Essa leitura é especialmente forte para a suinocultura latino-americana, que tem potencial competitivo, disponibilidade de grãos e status sanitário estratégico, mas precisa proteger essa posição com biosseguridade e execução. O status livre de Peste Suína Africana, citado como ativo relevante da região, não se sustenta sem disciplina operacional.

Potencial só vale quando vira rotina

A mensagem final para produtores, integradoras e técnicos é direta: o avanço genético continuará acelerado, mas seu valor será definido dentro da granja. O futuro não será de quem apenas compra, recebe ou anuncia genética superior. Será de quem consegue transformar esse potencial em leitões mais viáveis, matrizes mais produtivas, menor mortalidade, melhor conversão e resultado repetível.

Leia também: A fase final não corrige o leitão ruim, mas pode desperdiçar o leitão bom

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