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12 maio 2026
Distribuição ideal de ordem de partos em granjas suinícolas: Estratégias para maximizar produtividade
Distribuição ideal de ordem de partos em granjas suinícolas: Estratégias para maximizar produtividade Flávio de Aguiar Coelho¹, Fernanda Mariane dos Santos¹, Jose Alfonso Echavarria Martinez¹, Cesar Augusto Pospissil Garbossa¹ – ¹Laboratório de Pesquisa em Suínos – FMVZ/USP A permanência da matriz suína no plantel, bem como o equilíbrio no estoque de animais por ordem de […]
Distribuição ideal de ordem de partos em granjas suinícolas: Estratégias para maximizar produtividade
Flávio de Aguiar Coelho¹, Fernanda Mariane dos Santos¹, Jose Alfonso Echavarria Martinez¹, Cesar Augusto Pospissil Garbossa¹ – ¹Laboratório de Pesquisa em Suínos – FMVZ/USP
A permanência da matriz suína no plantel, bem como o equilíbrio no estoque de animais por ordem de paridade, são fatores críticos para o sucesso produtivo e econômico dos rebanhos suínos modernos.
O desempenho máximo das porcas ao longo de sua vida produtiva na granja é obtido na terceira a quinta ordem de partos.
A partir do sexto ciclo produtivo, observa-se uma redução de desempenho, que representa o momento ideal para uma decisão técnica e econômica sobre a permanência ou a remoção da matriz do sistema.
Em geral, matrizes com sete ou mais partos são removidas devido à idade e ao desempenho produtivo decrescente, sendo que a paridade da matriz impacta diretamente o desempenho da leitegada.
A gestão da longevidade do plantel reprodutivo pode ser traduzida pela análise de vida útil média dos rebanhos. Plantéis que alcançam estabilidade apresentam baixos índices de descarte involuntário, o que permite decisões mais controladas sobre a permanência das matrizes no sistema.
Esse equilíbrio torna a produção mais rentável, pois os dias não produtivos das leitoas de reposição são diluídos ao longo de sua vida produtiva, reduzindo o custo final do suíno produzido. Destaca-se, ainda, a elevada produtividade das matrizes jovens contemporâneas, que têm alcançado, em média, mais de 14 leitões nascidos por parto — um excelente parâmetro para a seleção com foco na produtividade futura.
Embora a terceira ordem de parto seja reconhecida pela maior parte dos estudos como o ponto de recuperação do investimento financeiro feito na marrã de reposição, nem todas as matrizes atingem essa longevidade mínima.
Manter matrizes por mais tempo no plantel, especialmente após a sexta ordem de parto, pode comprometer a gestão da atividade e exige atenção redobrada dos envolvidos. Em um cenário ideal, que reflete a estabilidade do plantel reprodutivo, uma taxa de reposição anual próximo de 45% condiz com aproximadamente 55% das porcas em até sua terceira paridade e uma maior porcentagem de porcas com estágio de três a cinco ordens de parto, permitindo a renovação completa do plantel de matrizes a cada 2,3 anos, o que garante um retorno econômico máximo com alta produtividade e avanço genético no rebanho.
Visto tal cenário a condição a ser alcançada, o planejamento estrutural por ordem de parto deve propor a inserção de marrãs de forma contínua, isto é, a cada ciclo produtivo, distribuindo as paridades em cada ciclo, o que oferece estabilidade na entrega de leitões desmamados.
Assim, o estoque de paridades do plantel atinge a estabilidade com 17% de fêmeas nulíparas gestantes, 15% de porcas de ordem de parto um, 14% de ordem de partos dois, 13% de ordem de parto três, 12% de ordem de parto quatro, 11% de ordem de parto cinco, 10% de ordem de parto seis e 8% de porcas com sete ou mais partos (Figura 1), o que representa 45% das porcas do plantel na faixa de maior produtividade e 25% das matrizes descartadas até a terceira ordem de parição.
Esses valores estão em conformidade com a literatura, que relata taxas de retenção entre 70% e 77% até a terceira ordem de parto, destacando as falhas reprodutivas como as principais causas de descarte das matrizes.
No entanto, adotar uma taxa de reposição anual inferior ao ideal implica em reduzir o porcentual de porcas em até a terceira paridade, no aumento da proporção de porcas mais velhas no sistema e na extensão do ciclo de renovação do plantel para até três anos, o que culmina em um atraso genético significativo.
Granjas que, por algum motivo, optam por praticar uma menor taxa de reposição anual passam, inicialmente, por um intervalo temporal curto em que a proporção de matrizes em estágio de alta produtividade é maior (Figura 2, distribuição OP do tipo N), mas mão permanente, pois à medida que o plantel vai envelhecendo ficam mais frequentes as falhas reprodutivas, as intervenções no parto, maiores perdas por natimortalidade e baixo desempenho na lactação, o que vai levar a uma distribuição de ordem de parto de “J” invertido (Figura 3).
Nesse contexto, uma menor taxa de remoção e a economia na aquisição de novas matrizes entram em conflito com a queda na produtividade, uma vez que a permanência de porcas menos produtivas no sistema tende a comprometer o retorno financeiro.
A introdução de marrãs no sistema é uma solução eficaz para mitigar os impactos causados pelo excesso de matrizes mais velhas, exigindo, no entanto, uma taxa de reposição mais elevada, o que vai levar a uma distribuição de OP do tipo “L”, Figura 4.
Esse cenário se assemelha à condição inicial de povoamento do plantel, mas com o desafio adicional de gerenciar porcas jovens e velhas em um mesmo sistema.
Quando os valores de reposição ultrapassam o ideal recomendado, a prevalência de porcas jovens pode atingir até 60%, o que intensifica os desafios sanitários, nutricionais e de manejo específicos a esse grupo etário.
Matrizes jovens são mais suscetíveis à perda de peso durante a lactação, além de enfrentarem desafios relacionados à sobrevivência embrionária, à taxa de parição e ao tamanho das leitegadas futuras. Por exemplo, porcas de segunda paridade frequentemente apresentam taxas de parição mais baixas e ninhadas menores em comparação às porcas de primeira paridade. Esse desempenho inferior é frequentemente atribuído ao desenvolvimento inadequado das fêmeas até o início da primeira lactação, combinado com perdas na saúde geral, fatores que contribuem para o descarte precoce e caracterizam a chamada “síndrome do segundo parto”.
Figura 4. Distribuição de ordem de partos tipo “L” Fonte: Adaptado de Antunes (2007).
De fato, os riscos aumentam com a elevação da proporção de porcas com menor adaptação do estado de saúde aos desafios do sistema, o que pode inflar os índices de mortalidade e descarte de fêmeas.
Dados recentes indicam taxas de mortalidade de porcas superiores a 10%, com um aumento de 7% na última década, afetando principalmente matrizes até a segunda paridade. Esse padrão contraria a expectativa em sistemas comuns, onde a mortalidade geralmente aumenta com a idade ou paridade avançada, e reforça a justificativa para a adoção de taxas de reposição mais elevadas como estratégia para mitigar perdas.
É importante destacar que um bom planejamento estratégico, que visa a distribuição ideal de ordens de parto em cada ciclo produtivo, deve atentar sobre a quantidade de leitoas de reposição que entram no plantel a cada ciclo, bem como, cumprir o alvo de cobertura condizente com a demanda da produção.
Essa abordagem requer uma seleção rigorosa que impacta diretamente na manutenção da leitegada, no manejo reprodutivo eficiente — incluindo protocolos que garantam a identificação precisa do cio e o número adequado de inseminações —, no manejo nutricional ajustado a cada fase da gestação e lactação, e em práticas sanitárias que elevem a imunidade do plantel. Esses fatores combinados são cruciais para embasar decisões técnicas e econômicas sobre a permanência ou o descarte das matrizes no sistema, garantindo a sustentabilidade e a produtividade do rebanho.
Contudo, o planejamento estrutural voltado à estabilização do sistema deve ser direcionado para alcançar uma distribuição ideal das matrizes por ordem de parto. Esse planejamento deve priorizar a qualidade das leitoas de reposição, com foco na promoção da longevidade produtiva e no retorno econômico sustentável do rebanho.