12 maio 2026

Projeções apontam novo recorde de exportação suína no Brasil para 2025

Projeções apontam novo recorde de exportação suína no Brasil para 2025 Wagner Yanaguizawa – Analista do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do Rabobank Brasil, com foco no mercado de proteína animal A volatilidade continuará a impactar o mercado global de suínos, apesar de uma leve melhora nas margens em importantes regiões produtoras. A lenta […]

Projeções apontam novo recorde de exportação suína no Brasil para 2025

Projeções apontam novo recorde de exportação suína no Brasil para 2025

Wagner Yanaguizawa – Analista do departamento de Pesquisa e Análise Setorial do Rabobank Brasil, com foco no mercado de proteína animal

A volatilidade continuará a impactar o mercado global de suínos, apesar de uma leve melhora nas margens em importantes regiões produtoras. A lenta recuperação dos rebanhos de matrizes, devido a questões sanitárias, clima e geopolítica, deve manter a oferta global apertada em 2025.

 O mercado brasileiro, no entanto, deve continuar se recuperando em termos de margens e viabilizando a expansão da oferta, impulsionado tanto pela demanda interna quanto pela demanda externa.

A Peste Suína Africana (PSA) permanecerá como uma preocupação central, especialmente no hemisfério norte com a chegada das estações mais frias.

Os esforços para desenvolver uma vacina comercial eficaz continuarão intensos, e alguns países, como China e Filipinas, já têm optado por utilizar a vacina ainda em fase experimental.

A Europa e o Sudeste Asiático têm sido as regiões mais afetadas, com novos casos surgindo tanto em javalis selvagens quanto em criações comerciais. Mas vale lembrar que, de uma maneira geral, os protocolos de prevenção adotados resultam em queda nos números de novos casos em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na China, apesar da melhora recente nas margens de produção, a expansão do rebanho suíno continua enfrentando desafios devido à persistente tendência à liquidação de matrizes como estratégia para redução de custos. Isso se deve a uma combinação de preços baixos do suíno vivo e novos casos de PSA, resultando em maior oferta de animais, especialmente matrizes reprodutoras. Em Jul/24, o rebanho de matrizes caiu 5,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

É importante lembrar que a liquidação de reprodutoras aumenta a oferta no curto prazo, mas reduz a produção de leitões no médio e longo prazo.

A desvalorização da carne bovina, combinada com a recuperação dos preços da carne suína no final do primeiro semestre, deve manter a competitividade alta no mercado local pelo menos na primeira metade de 2025.

Além disso, mudanças no padrão de consumo chinês, buscando maior custo-benefício, novas experiências no setor de serviços e mais qualidade nutricional, continuarão a criar oportunidades para outras proteínas, como aves, pescados e carne bovina.

Entendemos que as importações chinesas do Brasil terão maior estabilidade no próximo ano em comparação com os anteriores.

Ainda, a investigação chinesa anti-dumping na UE-27 que deve reduzir a oferta de miúdos suínos e a expectativa de aumento nos casos de PSA manterão a volatilidade alta, mas projetamos um ligeiro aumento de 0,5% na produção chinesa no próximo ano no comparativo anual.

Já nos Estados Unidos, após uma forte queda no rebanho de matrizes suínas no quarto trimestre de 2023, o volume de reprodutoras se manteve estável na primeira metade do ano, permitindo uma leve recuperação na oferta e no rebanho no terceiro trimestre de 2024.

O aumento das exportações tem favorecido as margens dos processadores e a queda nos custos de alimentação tem melhorado a produtividade, com pesos médios de carcaças maiores. Apesar da recuperação lenta do rebanho de matrizes, projetamos um aumento de 0,5% na produção de carne suína no próximo ano.

Com relação às exportações, após embarcar o maior volume da história em Jul/24, com cerca de 131 mil toneladas, as vendas de carne suína brasileira no mercado externo continuaram fortes, com Out/24 registrando o segundo maior volume de 128 mil toneladas, um aumento de 40% com relação ao mesmo mês do ano anterior.

A China permanece como o maior importador do Brasil, apesar da queda de 41% no acumulado do ano. A participação chinesa caiu para 18% do volume total exportado, o menor nível desde 2019.

Apesar da redução nas vendas para a China, o volume total exportado pelo Brasil até Out/24 aumentou 9% em relação ao ano anterior. Isso mostra que os processadores brasileiros têm conseguido redirecionar parte da carga destinada ao gigante asiático para novos mercados.

Mesmo com a queda de 4,5% nos preços médios de exportação suína, o faturamento total está 5% maior no comparativo anual, mostrando que o maior volume compensou a desvalorização dos preços.

Vale ressaltar que as vendas externas de carne suína no ano anterior foram recordes em volume e receita, cenário que deve ser superado mais uma vez este ano.

As Filipinas, o Chile e o Japão registraram aumentos significativos em suas importações de carne suína brasileira, com crescimentos de 98%, 34% e 137%, respectivamente. Nessa ordem, os países agora ocupam a segunda, terceira e quinta posição entre os principais importadores do produto. O aumento de plantas habilitadas para exportação para esses países, devido ao acordo de pré-listagem, deve continuar a abrir oportunidades nesses mercados por mais um ano.

Em 2025, fatores como biossegurança, alta competitividade de preços no mercado internacional e potencial para aumentar o volume exportado devem continuar favorecendo o Brasil no comércio global. Projetamos um novo recorde nas exportações, com aumento de 2 a 3% em relação ao ano anterior.

No mercado interno, após os preços do suíno vivo atingirem em Out/24 o maior nível desde Fev/21 e os custos de alimentação terem se mantido estáveis durante a segunda metade desse ano, a forte recuperação das margens deve manter atrativo o aumento do alojamento de leitões. No entanto, o setor ainda enfrenta um sentimento de cautela devido aos desafios dos últimos três anos e aos riscos de um cenário de sobreoferta pressionar novamente a lucratividade do setor produtivo.

A competitividade com relação à carne bovina também merece atenção especial, pois a expectativa de preços maiores durante o próximo ano pode elevar também as cotações da carne suína, não só pela forte correlação entre as carnes, mas também por conta de um cenário provável de migração de consumo para proteínas mais baratas em detrimento da carne bovina.

Prevemos que a oferta de carne suína brasileira continuará crescendo em 2025, com aumento de 1 a 2% em relação ao ano anterior.

Atenção especial deve ser dada às questões climáticas, especialmente no plantio do milho safrinha, que pode ser limitado pelos atrasos na semeadura da soja, elevando os preços da ração.

Questões geopolíticas, como a eleição de Donald Trump nos EUA e uma possível nova fase da guerra comercial com a China, além da investigação anti-dumping chinesa na UE-27, devem continuar trazendo volatilidade ao comércio global e podem criar  oportunidades para as exportações brasileiras.

 

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