14 maio 2026

Sorgo reduz custo, mas perda de peso pode tirar R$ 11,63 por suíno, mostra Garbossa

Em palestra no CBNA, professor da FMVZ/USP usou exemplos com sorgo, DDGS, metionina, plasma, óleos e conversão alimentar para mostrar que custo mínimo não garante maior retorno econômico.

Sorgo reduz custo, mas perda de peso pode tirar R$ 11,63 por suíno, mostra Garbossa

Em palestra no CBNA, Cesar Garbossa usou exemplos com sorgo, DDGS, metionina, plasma, óleos e conversão alimentar para mostrar que custo mínimo não garante maior retorno econômico.

Uma dieta mais barata pode terminar com menos dinheiro no bolso do produtor quando a conta chega ao animal vendido. Essa foi a linha central da apresentação de Cesar Augusto Pospissil Garbossa, da FMVZ/USP, no painel “Retorno do Investimento na Nutrição”, realizado na manhã de 13 de maio, durante a 36ª Reunião Anual do CBNA.

Com o tema “Custo de produção de suínos com foco na diversidade de matérias-primas”, Garbossa estruturou a palestra a partir de uma pergunta que acompanhou toda a exposição: custo é o ponto mais importante? A resposta foi construída por meio de exemplos econômicos nos quais ingredientes, tecnologias nutricionais e ajustes de manejo foram avaliados não apenas pelo custo da dieta, mas pelo retorno gerado no sistema produtivo.

Nos slides de contextualização, o professor apresentou dados do Índice de Custo de Produção do Suíno Paulista. Em abril de 2026, o custo do suíno terminado no estado de São Paulo apareceu em R$ 8,64/kg para a granja ICPS500 e R$ 7,69/kg para a ICPS2000, com variações de -0,74% e -0,93% em relação a março, respectivamente. A alimentação respondeu por 52,01% do custo total no ICPS500, equivalente a R$ 4,49/kg, e por 57,09% no ICPS2000, equivalente a R$ 4,39/kg.

Milho e farelo de soja foram apresentados como o núcleo da pressão econômica. Segundo os slides, o milho representou 31,5% e o farelo de soja, 36,3% dentro da composição considerada, resultando em 44% do custo de produção no exemplo mostrado. Ao separar as fases produtivas, Garbossa indicou a terminação como o principal ponto de impacto econômico, com 75% da produção de ração e 72,5% do custo da ração. Reprodução apareceu com 15% da produção e 12,5% do custo; creche, com 10% da produção e 15% do custo.

Sorgo reduziu custo, mas tirou peso e margem

O exemplo do sorgo concentrou a mensagem econômica da palestra. Segundo Garbossa, a substituição parcial do milho por sorgo reduziu o custo por quilo de animal produzido em R$ 0,13. No entanto, os suínos terminaram 4,03 kg mais leves. Com preço considerado de R$ 5,65/kg vivo, a perda de receita foi estimada em R$ 22,77 por animal. Descontada a economia de R$ 11,14 no custo, o saldo ficou negativo em R$ 11,63 por animal.

O DDGS trouxe a leitura inversa. Em experimento com 600 animais e inclusões de 0%, 10%, 20%, 30% e 40% a partir das fases posteriores às pré-iniciais, os slides indicaram perda de desempenho e redução de peso final com maiores inclusões. Ainda assim, no cenário de preços usado, a receita líquida aumentou. O tratamento sem DDGS apresentou R$ 122,67; com 10%, R$ 146,74; com 20%, R$ 154,43; com 30%, R$ 155,26; e com 40%, R$ 167,38. A diferença frente ao tratamento sem DDGS chegou a R$ 44,71.

Ao traduzir esse raciocínio para escala de granja, Garbossa indicou que, em uma granja de mil matrizes, uma diferença média de R$ 33,28 poderia representar cerca de R$ 1 milhão por ano. A informação foi apresentada como dependente do cenário de preços usado no estudo e não como recomendação universal de nível de inclusão.

Tecnologia mais cara também pode ampliar retorno

A palestra também apresentou exemplos em que gastar mais na dieta aumentou o retorno. Em um estudo com 868 suínos, 28 baias e 31 animais por baia, Garbossa comparou óleo de soja e blends energéticos/enriquecidos com enzimas. Embora o custo de alimentação tenha sido maior, em torno de US$ 1 por animal, o retorno sobre o investimento foi quase US$ 5 superior com o uso do blend.

Outro exemplo envolveu fonte alternativa de metionina. O ensaio citado teve 144 animais, três animais por repetição e 12 repetições, comparando controle positivo com DL-metionina e substituições de 33,34%, 66,67% e 100% por fonte alternativa/herbal. Segundo a transcrição da palestra, não houve diferença relevante sobre desempenho, mas a análise econômica indicou vantagem em determinado nível de substituição, com menção a uma inclusão próxima de 40% como ponto de melhor retorno dentro daquele cenário de preços.

Garbossa também citou a substituição de plasma e óleo de soja por farinha de peixe e óleo de vísceras na creche. Nos slides, aparece redução de 23,12% no custo/kg da dieta e, ao mesmo tempo, diferença de 27,51% no lucro bruto médio no comparativo apresentado. O exemplo foi usado para reforçar que retirar ingredientes caros pode reduzir custo de dieta, mas não necessariamente aumentar o retorno econômico.

Conversão alimentar pesou mais que cinco dias a menos no abate

Nas simulações com base no ICPS500, para uma granja de 274 matrizes, o custo-base apresentado foi de R$ 9,185/kg. A redução de cinco dias na idade de abate levou o custo a R$ 9,158/kg, com diferença de R$ 0,027/kg e impacto anual estimado em R$ 22.814,29. A melhoria de 5% na conversão alimentar da recria e terminação reduziu o custo para R$ 8,990/kg, diferença de R$ 0,195/kg e impacto anual de R$ 165.894,54.

A comparação ajudou o palestrante a mostrar que indicadores zootécnicos têm pesos econômicos diferentes. No fechamento, Garbossa retomou a pergunta inicial e reforçou que a decisão nutricional deve buscar máximo retorno econômico dentro de cada realidade produtiva. Em suas palavras, “máximo dinheiro no bolso” é o que precisa ser considerado.

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