18 out 2021

Técnicas de ultrarresfriamento do sêmen suíno

A capacidade de armazenar o sêmen a baixas temperaturas, por um prolongado período de tempo e sem alterações na viabilidade espermática, tem sido um dos principais desafios das centrais produtoras de sêmen suíno. Clique aqui para ler o artigo completo!

Técnicas de ultrarresfriamento do sêmen suíno

A tecnologia de preservação do sêmen suíno tradicionalmente adotada nas centrais de Inseminação Artificial (CIAs) compreende o armazenamento das doses inseminantes à temperatura entre 16ºC e 18ºC e sua utilização em até 48-72 horas após a coleta.

 

Isso ocorre devido à falta de uma taxa de resfriamento ideal para temperaturas inferiores, bem como de um diluidor capaz de proteger as células espermáticas contra os efeitos deletérios da baixa temperatura por um período prolongado de estocagem.

Entretanto, essa temperatura de 16-18°C limita armazenamento das doses por períodos prolongados, em virtude de não interromper totalmente o metabolismo das células espermáticas e a multiplicação bacteriana, propiciando o acúmulo de metabólitos que podem interferir na qualidade do sêmen.

A capacidade de armazenar o sêmen a baixas temperaturas, por um prolongado período de tempo e sem alterações na viabilidade espermática, tem sido um dos principais desafios das centrais produtoras de sêmen suíno.

Ultrarresfriamento do sêmen suíno

A possibilidade de armazenar e transportar o sêmen suíno à temperatura de 5°C seria uma importante alternativa para viabilizar a preservação do sêmen suíno por um período de tempo superior ao que vem sendo rotineiramente utilizado (16 a 18°C), para otimizar o transporte a longas distâncias e otimizar a utilização de reprodutores melhoradores apenas no local da colheita do sêmen.

O armazenamento do sêmen suíno a temperaturas próximas a 5°C seria conveniente para a maioria dos produtores, uma vez que as doses inseminantes poderiam permanecer armazenadas em refrigeradores domésticos.

A redução da temperatura de armazenamento para valores inferiores a 15°C tem sido ocasionalmente mencionada na literatura nacional e internacional para o transporte do sêmen suíno.

Alguns estudos têm utilizado temperaturas de 5-7°C para prolongar a viabilidade dos espermatozoides, em virtude da desaceleração dos processos metabólicos celulares. Teoricamente, quanto mais baixa a temperatura de armazenamento, menor seria o metabolismo celular e maior o tempo de estocagem das doses inseminantes.

 

Porém, o espermatozoide suíno é particularmente sensível ao resfriamento a temperaturas inferiores a 15ºC, o que resulta em uma diminuição da sobrevivência espermática quando o sêmen fresco é resfriado rapidamente para temperaturas abaixo desse valor. O resfriamento rápido das células espermáticas causa danos celulares e é comu-mente chamado de choque térmico ou cold shock.

 

O choque térmico é caracterizado pela presença de:

Esses efeitos são mais severos a temperaturas na faixa de 12 a 2°C, ou quando os espermatozoides do ejaculado são rapidamente resfriados, da temperatura corporal a temperaturas abaixo de 15°C. Por essa razão, as centrais de inseminação seguem utilizando a temperatura de 17°C no armazenamento e transporte das doses inseminantes, porém com limitada longevidade.

A extensão dos danos celulares causados pelo choque térmico está relacionada com vários fatores, podendo citar o formato da cabeça do espermatozoide e a estrutura e composição da sua membrana plasmática.

O êxito no processo de ultrarresfriamento do sêmen suíno, portanto, só poderá ser alcançado por meio de adequado armazenamento e do desenvolvimento de um diluidor capaz de proteger a célula espermática dos efeitos adversos da baixa temperatura.

Nesse contexto, novas alternativas vêm sendo propostas para a viabilização do uso do resfriamento a 5°C, entre elas a criação de um diluidor capaz de manter a capacidade fecundante da célula espermática nessa faixa de temperatura (5±1°C).

Na década de 50, diluidores contendo gema de ovo ou leite, desenvolvidos para uso na espécie bovina, foram adaptados para a preservação do sêmen suíno a 5-7°C. Contudo, como o espermatozoide suíno é mais sensível ao choque pelo frio que o espermatozoide bovino, as taxas de parto obtidas com a utilização desses diluidores foram aceitáveis somente quando o sêmen foi utilizado no dia da coleta ou após um dia de estocagem a 7°C.

Em 2002, o professor R. Foote, da Universidade de Cornell, desenvolveu um diluidor à base de glicina e 20% de gema de ovo (GGo) próprio para a preservação do sêmen suíno à temperatura de 5°C. Em seu estudo, Foote utilizou sêmen suíno preservado por 48 horas em refrigerador a 5°C, para inseminar 70 leitoas e 55 porcas, e obteve desempenho reprodutivo semelhante ao observado no uso do sêmen congelado (taxa de parto de 63% e 10,1 leitões nascidos vivos).

Diante dessa realidade, no Brasil, várias pesquisas têm sido conduzidas com o objetivo de viabilizar o transporte e a utilização do ultrarresfriamento do sêmen suíno. Em 2003, Roner desenvolveu um contêiner  para o resfriamento e conservação do sêmen suíno simples e barato, capaz de propiciar um resfriamento lento das células espermáticas e a obtenção de duas temperaturas de estocagem das doses, em um mesmo contêiner (5 ± 1°C e/ou 17 ± 1°C), com o tempo médio de manutenção dessas temperaturas de 43 e 53 horas, respectivamente.

Posteriormente, utilizando o contêiner proposto por Roner (2003), avaliou o desempenho reprodutivo de fêmeas inseminadas com sêmen diluído em diluidor GGo e armazenado a 5°C, com resultados superiores aos obtidos anteriormente. Nessa mesma linha de pesquisa, vários outros estudos foram conduzidos utilizando o mesmo contêiner e temperatura de armazenamento, porém com diferentes frações do ejaculado (P1: porção 1 do ejaculado, correspondente aos primeiros 15 ml da fração espermática rica) e tempos de armazenamento.

Nesses estudos, resultados de até 90% de taxa de parto e 13,4 nascidos totais foram obtidos, quando da utilização das doses inseminantes resfriadas a 5°C.

Apesar das inúmeras vantagens dessas novas tecnologias de ultrarresfriamento do sêmen suíno e dos resultados serem promissores, há ainda necessidade de testar um grande número de reprodutores como também de realizar experimentos em campo de maior magnitude para confirmar o desempenho reprodutivo de fêmeas inseminadas com sêmen resfriado a 5°C.

 

Fonte: Produção de Suínos – Teoria e Prática.

 

 

 

 

Relacionado com Reprodução & Genética
Sectoriales sobre Reprodução & Genética

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

EDIÇÃO suínoBrasil 2º TRI 2026
Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Maurício Cabral Dutra
Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

Letícia Guizzo Prof Dr. Vinicius Ricardo Cambito de Paula Prof. Dr. Sergio Luis Castro Junior Yasmin Silva Viana
Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Anna Lara M. Teixeira Carlos J.Kippert Gabriel C. Rocha Jansller L. Genova Lucas M. Teixeira
Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Priscila Beck
Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Geovana Coelho Ferreira Isabela de Andrade Luís Guilherme de Oliveira
Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Danilo A. Marçal Jaira de Oliveira Luciano Hauschild Rafaella Fernandes Carnevale Sara J. Sardinha
Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Dra. Masaio Mizuno Ishizuka
Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

Equipe Técnica Biochem Brasil
A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

Diogo Lima Goulart
Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Djane Dallanora
Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas

Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas

Natalia Sitanaka
Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sula Alves
DESCUBRA
agriNews Play - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería