ABPA vê impacto limitado de restrições da UE
Entidade afirma que Brasil sempre cumpriu os requisitos sanitários exigidos pelo bloco europeu, destaca robustez do sistema de rastreabilidade, porém acredita que eventual manutenção das restrições não comprometerá o desempenho das exportações graças à diversificação dos mercados.

ABPA vê impacto limitado de restrições da UE
Por redação suínoBrasil
A relação comercial entre Brasil e União Europeia (UE) atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos para o setor de proteína animal. Desde maio de 2025, o bloco europeu tem enrrigecido as negociaçãoes comerciais com o Brasil, ignorando – de certa forma – o acordo com o Mercosul. No entanto, o debate pode perder força caso se apegue às intuições relacionais. O que realmente está em pauta é o reacender de discussões sobre regionalização sanitária, reconhecimento dos sistemas nacionais de controle e previsibilidade das regras internacionais de comércio.
Embora o tema esteja diretamente relacionado à avicultura (caso isolado de Influenza Aviária no Brasil, em maio de 2025), seus desdobramentos são acompanhados de perto por toda a cadeia de proteína animal. A credibilidade sanitária construída pelo Brasil ao longo de décadas sustenta não apenas as exportações de carne de frango, mas também a expansão da suinocultura nacional, que permanece livre da peste suína africana e amplia sua presença nos mercados internacionais.
Durante coletiva realizada em São Paulo, terça-feira (28), às vésperas do SIAVS 2026, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que a entidade mantém confiança na retomada das exportações para a União Europeia, mas evitou estabelecer qualquer garantia sobre o cronograma da decisão.
“Eu, pessoalmente, entendo que é possível retomar as exportações já em 3 de setembro. Se não for nesse dia, pode ser por questões burocráticas, mas não vejo muito tempo para isso.”
A escolha das palavras revela uma postura cautelosa. Embora demonstre confiança no sistema brasileiro, a ABPA reconhece que a decisão final depende da avaliação das autoridades europeias e dos trâmites administrativos do bloco.

Foto: suínoBrasil. Coletiva de imprensa em SP, 28/07/2026.
Questionado sobre eventuais mudanças nos protocolos exigidos para atender à União Europeia, Santin foi enfático ao afirmar que não haverá alterações estruturais no sistema brasileiro.
“O setor vai continuar fazendo exatamente aquilo que sempre fez, porque sempre cumpriu os requisitos da União Europeia.”
Segundo ele, o país já atende integralmente às exigências sanitárias impostas pelo bloco, incluindo rastreabilidade, fiscalização oficial e controle veterinário. “Sempre cumprimos os requisitos da União Europeia.”
Entre as medidas destacadas estão a emissão de boletins sanitários oficiais, certificação veterinária, rastreabilidade dos lotes e fiscalização permanente conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Para Santin, as novas exigências representam apenas um reforço na frequência das inspeções.
“Essa nova exigência representa apenas uma camada adicional de fiscalização. O sistema brasileiro já faz esse controle.”
Embora a discussão esteja concentrada na influenza aviária, a ABPA aproveitou a coletiva para reforçar que a estrutura sanitária brasileira atende toda a cadeia de proteína animal. “O Brasil tem um sistema robusto de segregação.”
Segundo a entidade, o mesmo modelo de vigilância que preserva o status da avicultura também é determinante para manter o país livre da peste suína africana, condição considerada estratégica para a expansão das exportações de carne suína. Ao defender esse sistema, Santin voltou a destacar a importância da biosseguridade como rotina permanente das propriedades.
“A biosseguridade não é um hábito. Ela é um exercício.”
Na avaliação da ABPA, a adoção contínua de protocolos sanitários tornou-se um dos principais diferenciais competitivos do Brasil em um cenário internacional marcado pela recorrência de enfermidades de alto impacto econômico.
Caso a União Europeia decida prolongar as restrições, a ABPA acredita que os impactos sobre o mercado brasileiro tendem a ser limitados.
“A Europa representa cerca de 7% das exportações brasileiras. Se esse mercado permanecer fechado, não haverá desequilíbrio no mercado interno.”
Essa avaliação está diretamente ligada ao processo de diversificação comercial realizado pelo Brasil nas últimas décadas.
“Nós exportamos para mais de 150 mercados. Existe capacidade para redistribuir esses volumes.”
Segundo Santin, essa estratégia reduziu a dependência de compradores individuais e ampliou a capacidade de reação diante de barreiras comerciais, crises sanitárias e mudanças geopolíticas.
Enquanto a UE mantém as restrições, outros parceiros comerciais adotaram posicionamentos diferentes.
“A Inglaterra já anunciou formalmente que não fechará o mercado porque confia no sistema brasileiro.”
Na avaliação da ABPA, esse reconhecimento demonstra que a credibilidade construída pelo Brasil continua sendo um ativo relevante no comércio internacional de proteínas.
O fortalecimento da imagem sanitária brasileira ocorre em um momento de expansão da suinocultura nacional. As projeções da ABPA indicam produção de até 5,87 milhões de toneladas de carne suína em 2026 e exportações próximas de 1,6 milhão de toneladas, com novas altas previstas para 2027.
Além da ampliação dos mercados já consolidados, a entidade vê oportunidades importantes na Ásia.
“Se Coreia do Sul e Japão reconhecerem o Brasil como livre de febre aftosa sem vacinação em todo o território, teremos um grande potencial de expansão das exportações de carne suína.”
A expectativa reforça que o crescimento futuro da cadeia dependerá, cada vez mais, da confiança internacional nos sistemas brasileiros de defesa agropecuária.
Ao longo da coletiva, Ricardo Santin repetiu diversas vezes que a competitividade brasileira não está baseada apenas em custos de produção. Para a ABPA, fatores como rastreabilidade, fiscalização oficial, biosseguridade e previsibilidade sanitária passaram a exercer papel decisivo na escolha dos fornecedores pelos importadores.
Nesse contexto, a discussão com a União Europeia extrapola uma negociação comercial específica. Ela representa um teste para o reconhecimento internacional de um modelo sanitário que, segundo a entidade, foi construído ao longo de décadas e hoje sustenta a competitividade da proteína animal brasileira em mais de 150 mercados.
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