Debate sobre nutrição, conduzido pela CBNA, analisa desafios
Evento reuniu especialistas da academia e da indústria para debater inteligência artificial, microbiota, qualidade de ingredientes, bioinsumos e novas estratégias para aumentar a eficiência da produção animal

Debate sobre nutrição, conduzido pela CBNA, analisa desafios
Em um momento em que artigos científicos, tabelas nutricionais e resultados de pesquisas estão cada vez mais acessíveis, o diferencial para a tomada de decisão passou a ser a capacidade de interpretar informações e transformá-las em estratégia. Essa foi uma das principais mensagens da 36ª Reunião Anual do CBNA – Aves, Suínos e Bovinos, realizada em São Paulo, reunindo pesquisadores, nutricionistas, profissionais da indústria e lideranças da produção animal para discutir os temas que devem influenciar o futuro do setor.
A edição deste ano marcou uma evolução no formato do evento. Em vez de concentrar a programação em apresentações sequenciais de resultados, o CBNA ampliou o espaço para discussões aprofundadas entre especialistas, permitindo que conceitos, aplicações práticas e tendências fossem debatidos de forma aberta com os participantes. Temas como inteligência artificial aplicada à produção animal, modulação da microbiota, digestibilidade de ingredientes, uso de tecnologias NIRS, retorno do investimento em nutrição, bioinsumos e estratégias para melhoria da eficiência produtiva estiveram no centro das discussões.
Para o médico veterinário e presidente do CBNA (Colégio Brasileiro de Nutrição Animal), Godofredo Miltenburg, a proposta foi valorizar aquilo que não pode ser obtido apenas pela leitura de artigos ou pela análise de resultados.
“Os dados científicos são fundamentais e hoje estão amplamente disponíveis. Mas a discussão sobre como uma pesquisa foi desenhada, por que determinada tecnologia apresenta resultados diferentes em cada situação e como transformar conhecimento em estratégia ainda depende da troca direta entre pesquisadores, técnicos e empresas. É nesse ambiente que o CBNA busca contribuir para a evolução da nutrição animal”, afirma.
Entre os destaques do evento estiveram os debates sobre inteligência artificial aplicada à análise de desempenho animal, novas abordagens para interpretação da microbiota, o papel da qualidade dos ingredientes nas diferentes fases de produção e os desafios relacionados à substituição de tecnologias tradicionais por soluções alinhadas às demandas de sustentabilidade e saúde animal. Em uma das sessões, pesquisadores com décadas de atuação foram convidados a responder qual linha de pesquisa escolheriam se estivessem iniciando a carreira atualmente, exercício que ofereceu aos participantes uma visão privilegiada sobre as tecnologias e tendências que devem ganhar relevância nos próximos anos.
O diretor Técnico do CBNA, Marcio Ceccantini, integrante da comissão organizadora, destacou que o sucesso da 36ª Reunião Anual está justamente na capacidade de reunir conhecimento científico e experiência prática em um mesmo ambiente.
“Os trabalhos científicos continuam tendo papel fundamental e, nesta edição, demos mais um passo ao fortalecer a divulgação de pesquisas com maior visibilidade internacional. Mas tão importante quanto os resultados apresentados é a oportunidade de discutir conceitos, questionar abordagens e entender como as novas tecnologias podem ser aplicadas na realidade da produção animal. Esse tipo de interação vai muito além de tabelas ou artigos científicos”, destaca.
Ao final do encontro, ficou evidente que a próxima fronteira da nutrição animal não será determinada apenas pela geração de novos dados, mas pela capacidade de integrar ciência, tecnologia e tomada de decisão.
“O CBNA continuará estimulando discussões produtivas sobre os temas que impactam a competitividade do setor. Nosso objetivo é criar um ambiente onde a ciência possa ser debatida de forma aberta, crítica e aplicada aos desafios reais da produção animal”, conclui Ceccantini.
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