Não basta fazer, a suinocultura terá de provar ao mercado o que já faz em sanidade e sustentabilidade
Na abertura do SINSUI-ELANCO, Deyse Galle destacou que a suinocultura precisará comprovar tecnicamente suas práticas em sanidade e sustentabilidade para manter e ampliar acesso a mercados exigentes. A organização de evidências em biosseguridade, bem-estar e uso de antimicrobianos será decisiva na próxima década.

Não basta fazer, a suinocultura terá de provar ao mercado o que já faz em sanidade e sustentabilidade
A próxima década da suinocultura brasileira não dependerá apenas da capacidade de produzir mais carne. Dependerá também da capacidade de provar, com evidências técnicas, o que a cadeia já faz em sanidade, biosseguridade, sustentabilidade, resistência antimicrobiana e bem-estar animal. Essa foi a leitura apresentada por Deyse Galle, da Elanco Saúde Animal, na abertura do Simpósio Satélite SINSUI-ELANCO de Sanidade de Suínos.
A palestra partiu de indicadores de produção, consumo, exportação e receita, mas não se limitou a um panorama de mercado. Deyse usou os dados para discutir a capacidade da suinocultura brasileira e latino-americana de sustentar crescimento em um ambiente de maior exigência regulatória, sanitária e comercial.
Exportar mais exige demonstrar melhor
Segundo a leitura apresentada, a diversificação dos destinos de exportação reduz a dependência de mercados específicos e torna a cadeia menos vulnerável a movimentos geopolíticos. Ao mesmo tempo, amplia a responsabilidade técnica do setor. Quanto mais mercados o Brasil acessa, maior a necessidade de demonstrar padrões consistentes de prevenção sanitária, uso responsável de antimicrobianos, sustentabilidade e bem-estar.
Esse ponto é especialmente relevante porque, em mercados internacionais, quem sustenta tecnicamente a negociação é a autoridade sanitária. Para que essa autoridade possa defender o país, o setor precisa organizar dados, práticas, memoriais técnicos e indicadores que mostrem o que já é feito nas granjas, agroindústrias e programas de controle.
Resistência antimicrobiana exige maturidade setorial
Deyse tratou a resistência antimicrobiana como um dos temas mais sensíveis para o Brasil. A mensagem não foi de negação, mas de organização. Antes de apenas contestar metodologias ou leituras externas, a cadeia precisa reunir evidências do que já faz para prevenir, racionalizar e controlar o uso de antimicrobianos.
Esse debate deve ganhar força porque exigências que surgem em determinados mercados podem se tornar referência para outros compradores. A suinocultura que se preparar antes terá mais condições de transformar pressão regulatória em diferencial competitivo.
Produtividade também comunica sustentabilidade
Outro ponto importante da palestra foi a ideia de que produtividade é sustentabilidade. Melhorar eficiência produtiva, reduzir perdas, controlar doenças, melhorar conversão e diminuir desperdícios são resultados que podem ser traduzidos em indicadores ambientais e econômicos.
O desafio está em organizar essa narrativa com base técnica. Sustentabilidade não pode ficar restrita a discurso institucional. Precisa ser demonstrada por indicadores que façam sentido para o mercado, para autoridades e para a própria cadeia produtiva.
Barreiras podem virar vantagem
Na síntese apresentada por Deyse, bem-estar, biosseguridade, sustentabilidade e sanidade não devem ser vistos apenas como barreiras defensivas. Quando bem organizados, podem se tornar vantagem competitiva de longo prazo para a carne suína brasileira.
O Brasil tem ativos importantes, entre eles o status sanitário frente a enfermidades de alto impacto. Mas esses ativos precisam ser protegidos e comunicados com precisão. Para a próxima década, não bastará fazer bem. Será preciso provar melhor.
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