25 out 2021

Sistemas de alojamento e arraçoamento de leitoas durante a gestação e impacto em parâmetros reprodutivos

A busca por opções eficientes de transformação, tem sido um dos principais desafios na adaptação das gestações individuais em gestações coletivas nas granjas de produção intensiva. Confira o estudo completo!

Sistemas de alojamento e arraçoamento de leitoas durante a gestação e impacto em parâmetros reprodutivos

As crescentes exigências de boas práticas e bem-estar animal (BEA) na produção de suínos tem motivado as agroindústrias a adequar seus sistemas de produção. O sistema de gestação realizado em celas individuais muitas vezes é definido como um sistema cruel de produção, pois limita as interações e o comportamento espécie específicos das fêmeas.

 

Desta forma, a busca por opções eficientes de transformação, tem sido um dos principais desafios na adaptação das gestações individuais em gestações coletivas nas granjas de produção intensiva. Alinhado com a demanda do mercado consumidor e visando atender a melhoria dos sistemas de produção, as agroindústrias passaram a assumir compromissos públicos, onde o desafio está na adequação do sistema produtivo, substituindo as celas individuais por sistemas de gestação coletivos.

 

Sendo assim, observa-se um interesse cada vez maior em entender os reflexos que diferentes momentos de transferência podem provocar no desempenho reprodutivo. Embora o alojamento coletivo permita que a fêmea expresse seu comportamento, sabe-se que há menor controle de consumo individual de alimento, quando este arraçoamento não se dá de forma automatizada, o que pode gerar grande variação na condição corporal e problemas reprodutivos.

Apesar da gestação em grupos ser um dos pontos de grande empatia às boas práticas de produção e um aliado ao bem-estar animal, vários são os questionamentos acerca de seus efeitos sobre a eficiência reprodutiva das fêmeas.

Desta forma, estudos buscando maior robustez cientifica que permitam a identificação das melhores estratégias de manejo, estruturais e tecnológicas para granjas de produção de leitões em atividade, servirão de ponte facilitadora para nortear um caminho seguro e competitivo, possibilitando o acesso futuro e sustentável a novas gerações de consumidores e mercados externos potenciais.

O objetivo deste trabalho foi avaliar parâmetros reprodutivos de leitoas submetidas a diferentes sistemas de alojamento coletivo e formas de arraçoamento durante o período pós-cobertura.

Material e métodos 

O experimento foi realizado em granja de produção de leitões desmamados localizada no sul do Brasil estruturada em sistema de bandas quinzenal.

Foram utilizadas 349 leitoas distribuídas em esquema fatorial 2×2, sendo realizadas 10 repetições ao longo do tempo.

O fatorial consistiu em dois momentos de transferência (alojamento) para a baia coletiva, sendo: após concluir o protocolo inseminação artificial (cobre e solta) ou aos 35 dias após o protocolo de inseminação (cobre e fica).

Na alimentação foi testado dois sistemas de arraçoamento: drops em “Y”, no qual a ração caía diretamente no chão da baia e o minibox (MB), em que a ração era fornecida no chão da baia, no entanto, havia divisórias proporcionando que cada fêmea se alimentasse separada das demais.

O espaçamento das celas individuais de gestação era de 2,10×0,57 m, enquanto as baias coletivas eram de 4,15×4,90 m onde eram alojados grupos de 9 fêmeas, proporcionando área de 2,25m² por animal. As dimensões de cada MB eram de 48×50 cm (largura/profundidade), de forma que para cada baia foi proporcionado nove espaços, um para cada fêmea.

As inseminações artificiais (IA) foram realizadas com doses intrauterinas heterospérmicas de 45 ml, na concentração de 1,25 bilhões de espermatozoides viáveis. Do período de gestação ao parto foram avaliados parâmetros reprodutivos: retorno ao cio, confirmação de prenhez aos 28 dias, total de nascidos (TN), nascidos vivos (NV), natimortos (NAT) e mumificados (MUM).

Resultados e discussão 

Independente do momento da transferência das fêmeas para as baias coletivas (cobre e solta ou aos 35 dias) e do sistema de alimentação (drops em “Y” ou minibox) não foi observada diferença nos parâmetros reprodutivos.

Não ocorreu diferença entre os tratamentos na avaliação de natimortos (P=0,5471) e de mumificados (P=0,5730).

O sistema de alimentação em minibox para leitoas em gestação alojadas em baias coletivas (9 fêmeas) não proporcionou benefícios nos parâmetros reprodutivos quando comparado ao sistema de arraçoamento em “Y”.

Conclusão

Leitoas manejadas em grupos coletivos pequenos (9 animais) pode ser utilizado o sistema de arraçoamento sem a divisão em minibox. O manejo de formação das baias coletivas pode ocorrer imediatamente após a cobertura ou aos 35 dias.

 

Fonte: 13º Simpósio Internacional de Suinocultura, SINSUI-2021.


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