20 ago 2026

BRAINR aposta em frigorífico conectado e digitalizado

Empresa apresenta sistema operacional integrado para frigoríficos e agroindústrias e defende uso de dados, inteligência artificial e rastreabilidade para elevar eficiência e reduzir desperdícios.

BRAINR aposta em frigorífico conectado e digitalizado

A transformação digital da indústria de proteína animal passa por uma mudança importante, deixar de utilizar os dados apenas para entender o que aconteceu e começar a usá-los para antecipar problemas e tomar decisões em tempo real. Essa é uma das principais propostas apresentadas pela BRAINR, apresentada no SIAVS 2026, realizado em São Paulo, com foco especial nas oportunidades de digitalização da cadeia de suínos no Brasil.

Especializada em soluções digitais para a gestão de fábricas e frigoríficos, a empresa se apresenta como um verdadeiro “cérebro digital” da indústria de proteína animal, integrando em uma única plataforma diferentes etapas da operação. A tecnologia pode ser aplicada a cadeias de aves, bovinos, suínos, caprinos e pescado.

A proposta é substituir processos fragmentados, muitas vezes baseados em papel, planilhas e diferentes sistemas, por uma camada operacional integrada e em tempo real. O sistema contempla planejamento, escalonamento, produção, abate, gestão de pátio, recepção de animais vivos e matérias-primas, armazenamento e expedição.

 

Digitalização para sair da reação e antecipar problemas

Para a BRAINR, um dos principais impactos da digitalização está na velocidade com que a indústria consegue transformar dados em decisões.

Até recentemente, mesmo empresas com grande volume de informações tinham dificuldades para consolidar e interpretar os dados gerados pela operação. Com sistemas integrados e inteligência artificial, a proposta é permitir que gestores tenham uma visão mais rápida dos processos e atuem antes que desvios se transformem em perdas.

Um exemplo apresentado pela empresa é o de um cliente que teria obtido uma economia de aproximadamente R$ 30 milhões por ano, resultado principalmente do aumento da visibilidade sobre produção, desperdícios, paradas e desvios operacionais.

Na suinocultura, esse tipo de integração pode ganhar relevância diante da complexidade do processo industrial, que envolve desde a chegada dos animais vivos até o processamento, embalagem, armazenamento e expedição dos produtos.

 

Rastreabilidade de ponta a ponta

Outro eixo estratégico da BRAINR é a rastreabilidade. A plataforma foi desenvolvida para permitir a conexão dos dados gerados na planta com informações provenientes de outras etapas da cadeia, incluindo o setor primário, granjas, logística, vendas e varejo.

A empresa destaca que as etiquetas geradas pelo sistema seguem os padrões GS1 e utilizam Data Matrix, permitindo a leitura e o rastreamento dos produtos ao longo da cadeia.

A tecnologia também permite estabelecer a genealogia do produto desde o animal vivo ou a matéria-prima até o produto final embalado, com acesso às informações de rastreabilidade em poucos segundos. Segundo a BRAINR, essa integração é especialmente importante para a indústria da carne, cuja operação exige elevados níveis de controle em segurança dos alimentos, qualidade e rastreabilidade.

 

Um sistema para reduzir a fragmentação

A complexidade da indústria frigorífica também levou muitas empresas a operar com diversos softwares diferentes para controlar suas atividades. A proposta da BRAINR é concentrar essas operações em uma única plataforma, mantendo a possibilidade de integração com sistemas externos.

Dessa forma, o sistema pode se conectar a ERPs, softwares utilizados nas granjas, ferramentas de logística e plataformas comerciais, permitindo que as informações circulem em tempo real.

Para a indústria de suínos, a integração pode representar uma oportunidade para conectar de maneira mais eficiente produção e processamento, melhorando o planejamento e permitindo respostas mais rápidas diante de alterações na oferta de animais, pedidos de clientes ou problemas logísticos.

 

Eficiência, rendimento e menos desperdício

A digitalização também tem como objetivo melhorar a utilização dos recursos disponíveis na indústria. Entre os ganhos buscados estão a redução de desperdícios, aumento do rendimento, melhor gestão das equipes e dos investimentos e maior precisão na definição do mix de produtos.

Outro benefício está na capacidade de planejar e replanejar a produção rapidamente diante de imprevistos, como atrasos de entregas ou pedidos de última hora.

Nesse cenário, a BRAINR defende a construção de um frigorífico cada vez mais “paperless”, no qual as informações necessárias para a operação estejam disponíveis digitalmente e possam ser acessadas pelos diferentes setores.

 

IA, automação e o futuro da suinocultura

O avanço da automação é apontado pela empresa como uma das tendências que devem transformar a indústria de proteína animal nos próximos anos. A expectativa é de maior presença de robótica, inclusive com novas gerações de robôs, além de uma camada crescente de inteligência capaz de integrar equipamentos de diferentes fornecedores.

Ao mesmo tempo, a BRAINR projeta uma integração cada vez maior de toda a cadeia de suprimentos, desde o setor primário até a expedição. A empresa também identifica uma tendência de maior customização dos produtos, impulsionada tanto pelos consumidores quanto pelos varejistas em busca de maior agregação de valor.

Esse cenário, porém, também aumenta a quantidade de informações que precisam ser administradas. É justamente nesse ponto que a empresa pretende ampliar sua atuação. A BRAINR trabalha com uma plataforma em nuvem e disponibiliza novas funcionalidades de forma contínua aos clientes, reduzindo a necessidade de projetos complexos de atualização de sistemas.

A inteligência artificial também está sendo incorporada aos processos para tornar atividades como planejamento mais inteligentes e permitir que agentes digitais assumam determinadas tarefas operacionais.

Para a empresa, o objetivo final é utilizar a integração para colocar a informação certa no lugar certo, no momento certo — e transformar dados em decisões capazes de gerar eficiência, rendimento e competitividade para a indústria brasileira de proteína animal.

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