
Rafael Frandoloso
Rafael Frandoloso, da UPF, alertou no SINSUI que A. suis não deve ser tratado como agente menor diante da circulação de cepas de alta patogenicidade, diversidade antigênica e desafios para prevenção.

Por redação suínoNews
Actinobacillus suis não deve mais ser tratado como agente secundário ou de baixa relevância clínica na suinocultura brasileira. Esse foi o eixo da palestra de Rafael Frandoloso, da Universidade de Passo Fundo, durante o painel “Complexo de Doenças Respiratórias em Suínos de Creche: como estamos frente aos desafios”, realizado no SINSUI 2026.
Rafael Frandoloso
Ao reavaliar a importância clínica do agente no Brasil, Frandoloso apresentou dados que apontam para a circulação de cepas de alta patogenicidade, diversidade genética e antigênica e necessidade de estratégias preventivas mais precisas. A discussão colocou A. suis dentro do complexo respiratório, mas também ampliou a atenção para quadros graves que podem envolver septicemia, artrite, meningite e lesões pulmonares severas.
Segundo o palestrante, há cepas capazes de induzir doença importante mesmo sem coinfecções ou condições imunossupressoras evidentes. Esse ponto altera a forma como o agente deve ser interpretado. Em vez de aparecer apenas como componente secundário de um quadro respiratório, A. suis passa a exigir investigação própria, especialmente quando há mortalidade, lesões severas ou falha de resposta a medidas convencionais.
Frandoloso apresentou surtos diagnosticados entre 2023 e 2026 em estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com fonte atribuída à AFK Imunotech. Na distribuição por fase produtiva exibida na palestra, a terminação concentrou 79,4% dos isolamentos apresentados, seguida por creche, com 10,8%, e maternidade, com 9,8%.
Esse dado precisa ser lido com precisão, pois se refere à base apresentada pelo palestrante, e não a uma prevalência nacional oficial. Ainda assim, tem grande valor técnico porque desloca a percepção de A. suis como problema restrito a fases iniciais, demonstrando que quadros respiratórios severos na terminação também devem considerar o agente no diagnóstico diferencial.
Um dos pontos mais importantes da palestra foi a diversidade genética e antigênica de Actinobacillus suis. Frandoloso explicou que a presença do agente não responde sozinha quais cepas estão envolvidas, qual é o nível de virulência ou qual estratégia preventiva tem maior chance de funcionar.
A apresentação abordou diferenças relacionadas à cápsula, LPS, clusters antigênicos e virulência. A mensagem aplicada é que, em um mesmo sistema, podem circular cepas antigenicamente diferentes. Se essa diversidade não for considerada, a formulação de uma vacina autógena pode não contemplar todos os componentes relevantes para o controle.
Essa abordagem muda a discussão sobre prevenção. Não basta “ter vacina”. É preciso formular a vacina com base nas cepas realmente envolvidas no sistema, considerando cluster antigênico e adjuvante adequado. Segundo Frandoloso, o desempenho vacinal depende da precisão dessa escolha.
A palestra também trouxe dados de sensibilidade antimicrobiana de 46 isolados clínicos avaliados entre 2024 e 2026. Os percentuais apresentados variaram entre diferentes princípios ativos, com cenário classificado como preocupante no slide. Para o leitor técnico, esse ponto tem aplicação direta.
O dado não deve ser transformado em recomendação terapêutica. A leitura correta é outra: tratamento empírico pode falhar quando não há diagnóstico laboratorial e antibiograma. Em um cenário de diversidade de cepas e respostas variáveis a antimicrobianos, a decisão precisa ser sustentada por informação do próprio caso ou sistema.
A parte final da apresentação destacou o desenvolvimento e a avaliação clínica de vacinas inativadas formuladas com Actinobacillus suis. O estudo envolveu 111 leitões convencionais negativos para A. pleuropneumoniae e M. hyopneumoniae, com imunizações aos 21 e 35 dias de vida, desafio experimental aos 49 dias e necropsia aos 63 dias.

Nos dados apresentados, os grupos vacinados mantiveram 100% de sobrevivência após o desafio, enquanto o grupo controle desafiado apresentou queda na probabilidade de sobrevivência. A apresentação também indicou redução de escores de lesão pulmonar em grupos vacinados.
Frandoloso tratou o estudo como evidência de que é possível produzir vacina eficiente contra A. suis, mas também reforçou que nem todos os adjuvantes produziram respostas protetoras adequadas. Essa ressalva é importante porque evita a leitura simplificada de que a vacina autógena, por si só, resolve o problema.
A principal contribuição da palestra foi reposicionar A. suis dentro da sanidade suína brasileira. O agente não deve ser ignorado nem tratado automaticamente como coadjuvante. Quando há cepas de alta patogenicidade, diversidade antigênica e impacto clínico relevante, diagnóstico preciso e prevenção personalizada deixam de ser detalhe laboratorial e passam a ser parte da estratégia sanitária da granja.
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