Unidade de Poço das Antas está parada desde 2023 e seria alvo de negociação com outra cooperativa gaúcha; operação ocorre em meio à liquidação extrajudicial da Languiru

O Frigorífico de Suínos da Cooperativa Languiru, em Poço das Antas (RS), pode voltar a operar ainda em 2026. Uma cooperativa gaúcha está em negociações avançadas para assumir a unidade, segundo informações divulgadas recentemente sobre as tratativas.
A possível transferência representa uma nova perspectiva para uma planta industrial que está desativada desde junho de 2023, quando a Cooperativa Languiru enfrentou o agravamento de sua crise financeira e interrompeu as atividades de diferentes unidades.
A negociação, no entanto, ainda não representa uma venda concluída. O avanço da operação depende da resolução de questões jurídicas, patrimoniais e financeiras relacionadas à unidade e ao processo de liquidação extrajudicial da cooperativa.
Frigorífico tem capacidade para 1,7 mil suínos por dia
O complexo industrial de Poço das Antas possui capacidade instalada para o abate de aproximadamente 1,7 mil suínos por dia. A estrutura também está vinculada a uma cadeia de produtores integrados da região, estimada entre 100 e 200 propriedades.
A eventual reabertura poderá representar a retomada de uma alternativa de comercialização para produtores que foram afetados pela paralisação da unidade, além de movimentar empregos diretos e indiretos e atividades ligadas ao transporte, fornecimento de insumos e serviços.
Para a economia regional, o retorno do frigorífico também significa a possibilidade de reativação de uma estrutura industrial de grande porte que permanece ociosa há mais de três anos.
A possibilidade de entrada de um novo operador ocorre depois de uma mobilização do município para buscar uma solução para a planta. Em 8 de julho, um representante da Administração, Indústria e Comércio de Poço das Antas e a vereadora Célia Lurdes Koerbes (MDB) estiveram em Porto Alegre e entregaram à Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio Grande do Sul um ofício destinado ao governador Eduardo Leite.
O documento solicitava apoio do Estado para viabilizar a reversão da área do frigorífico ao município e permitir a retomada das atividades por um novo operador. Segundo informações divulgadas no portal da prefeitura, a área destinada ao empreendimento possui 25 hectares e foi transferida à Cooperativa Languiru em 2012.
A questão envolvendo a área é um dos fatores que adicionam complexidade à possível retomada da unidade. De acordo com informações apresentadas pelo município, a legislação geral de incentivos prevê a manutenção das atividades por 25 anos como condição para a consolidação dos benefícios concedidos, entre eles a cessão da área e incentivos tributários.
O município informou ainda que o valor atualizado dos investimentos realizados no empreendimento, considerando terreno e incentivos tributários, chega a aproximadamente R$ 27 milhões.
A eventual transferência do frigorífico, portanto, precisa ser analisada também sob a perspectiva patrimonial e das condições estabelecidas quando a área foi destinada à cooperativa.
Antes das atuais negociações, uma das alternativas para dar destino ao frigorífico era a realização de um leilão. Em junho de 2026, porém, a Justiça rejeitou o leilão da planta, mantendo indefinido o futuro do ativo.
A decisão ocorreu em meio ao processo de liquidação extrajudicial da Languiru, que busca organizar a alienação de ativos e o pagamento dos compromissos da cooperativa. A rejeição do leilão abriu espaço para novas alternativas de negociação para a unidade, entre elas a possibilidade de transferência para outro operador do setor cooperativo.
O possível negócio também ocorre em um cenário de dificuldades financeiras ainda não resolvidas. Em 9 de julho de 2026, a Languiru deixou de pagar uma parcela de seus Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), conforme comunicado da securitizadora Opea. O episódio gerou novo impasse judicial com a Valora Gestão de Investimentos (VGI), relacionada às garantias dos títulos.
Entre as questões discutidas está a validade de uma cessão fiduciária de recebíveis vinculada a um contrato com a JBS. A Languiru contesta a garantia, enquanto a disputa também envolve os interesses dos investidores dos CRAs.
A cooperativa já havia proposto que os credores dos títulos fossem submetidos às condições de pagamento de sua liquidação extrajudicial, possibilidade que enfrenta resistência dos credores envolvidos.
Caso a negociação avance e seja concluída, a entrada de uma nova cooperativa poderá representar uma mudança significativa no cenário da suinocultura de Poço das Antas e municípios próximos.
Além da recuperação de uma estrutura industrial de grande capacidade, a retomada poderá recolocar produtores na cadeia de fornecimento, gerar postos de trabalho e recuperar parte da movimentação econômica associada ao frigorífico.
O principal desafio, contudo, será transformar uma negociação ainda em andamento em uma operação efetivamente viável, considerando as condições da estrutura após mais de três anos sem atividade, os investimentos necessários para sua atualização e as questões jurídicas relacionadas ao patrimônio e aos passivos da Languiru.
A reportagem da suínoBrasil procurou a Prefeitura de Poço das Antas, desde 25 de agosto, para confirmar o estágio das negociações, a identidade da cooperativa interessada, as condições para eventual transferência da unidade e a expectativa de retomada das atividades.
Até o fechamento desta matéria, porém, o município não havia respondido aos contatos realizados pela reportagem.
Dessa forma, as informações sobre a possível negociação e retomada da planta são apresentadas com base nas informações públicas disponíveis e nas apurações realizadas pela reportagem. A eventual conclusão da operação ainda depende da formalização dos entendimentos entre as partes e da resolução das questões jurídicas e financeiras que envolvem o frigorífico.
Fonte: Redação da suínoBrasil
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