27 ago 2026

Aurora Coop e Iowa State University levam ciência de dados à suinocultura brasileira

Parceria exclusiva no Brasil integra informações de toda a cadeia produtiva para criar modelos capazes de antecipar riscos, reduzir perdas e apoiar decisões no campo.

Aurora Coop e Iowa State University levam ciência de dados à suinocultura brasileira

A suinocultura brasileira começa a incorporar uma nova fronteira tecnológica: o uso estruturado de ciência de dados, inteligência artificial e aprendizado de máquina para transformar milhões de informações geradas diariamente nas granjas e indústrias em decisões mais precisas. Uma parceria entre a Aurora Coop, terceiro maior grupo de proteína animal do Brasil, e a Iowa State University, dos Estados Unidos, desenvolve modelos inéditos no País para integrar e analisar dados de toda a cadeia, do nascimento dos leitões ao frigorífico.

O projeto começou há cerca de três anos e entra agora em uma etapa de expansão. A Aurora Coop é a única empresa brasileira parceira da universidade nesse trabalho, que também envolve oito empresas nos Estados Unidos, responsáveis por aproximadamente 1,4 milhão de matrizes, além de uma companhia no México.

O anúncio foi feito pelo diretor vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Antonio Zordan.

professor da Iowa State University e coordenador do projeto, Edison Magalhães e o gerente corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Luiz Carlos Giongo.

O professor da Iowa State University e coordenador do projeto, Edison Magalhães, explica que a proposta é aproximar a pesquisa acadêmica dos desafios concretos da produção. Os dados disponibilizados pela Aurora Coop, protegidos por termos de confidencialidade, são analisados por uma equipe multidisciplinar que reúne especialistas em medicina veterinária, estatística, engenharia da computação e visão computacional.

O grupo desenvolve modelos estatísticos, algoritmos, inteligência artificial e machine learning para responder a questões que interferem diretamente nos resultados da atividade. As análises podem avaliar sanidade, vacinação, medicamentos, nutrição, genética, mortalidade e organização dos fluxos produtivos.

“A cadeia é tecnificada, evoluída e coleta informações boas, mas a análise de dados ainda é falha, não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro”, observa Magalhães.

Segundo ele, o diferencial está em superar análises baseadas apenas em médias e planilhas e aplicar modelos estatísticos capazes de identificar relações que dificilmente seriam percebidas pelos métodos convencionais.

Um dos aspectos mais relevantes é a integração das informações de matrizes, creches, terminação e frigoríficos. Algoritmos específicos desenvolvidos para a Aurora Coop conectam os registros das diferentes etapas e permitem acompanhar o desempenho dos animais ao longo da cadeia.

Entre os primeiros trabalhos está a chamada piramidização de fluxos. O modelo analisa as origens dos leitões destinados às creches e identifica combinações que apresentam melhores resultados produtivos e sanitários. A partir desse conhecimento, a cooperativa pode organizar fluxos mais estáveis entre granjas, reduzir misturas de origens e melhorar o controle sanitário.

A rastreabilidade amplia ainda a capacidade de relacionar ocorrências identificadas no frigorífico às etapas anteriores da produção. Para Magalhães, a estrutura da Aurora Coop oferece uma condição diferenciada para esse avanço.

“A Aurora Coop foi escolhida justamente por esse perfil inovador. É uma referência em produtividade e tomou a decisão de buscar esse trabalho quando a área ainda estava começando.”

O salto mais ambicioso do projeto é avançar da análise do que já aconteceu para a predição do que poderá acontecer. O gerente corporativo de suinocultura da Aurora Coop, Luiz Carlos Giongo, destaca que a aplicação de inteligência artificial deverá permitir decisões preventivas, com potencial para reduzir impactos produtivos e econômicos.

“O grande trunfo que queremos alcançar é predizer os problemas, agir antes e evitar o prejuízo. Evitar as crises”, resume.

Os primeiros modelos já demonstram essa possibilidade. Em determinados casos, as análises conseguem projetar, no momento do desmame, indicadores de mortalidade que poderão ocorrer 40 ou 50 dias depois.

Outra característica é que o avanço não depende, necessariamente, da instalação de câmeras, sensores ou equipamentos de alto custo nas propriedades. A estratégia utiliza prioritariamente informações que os produtores e a empresa já coletam, como registros das granjas, diagnósticos, formulações de rações e resultados produtivos.

TECNOLOGIA & NOVOS PROFISSIONAIS

A parceria abre espaço para um perfil profissional ainda raro na produção animal: especialistas que combinem conhecimento em suinocultura, estatística, programação e ciência de dados. Na Iowa State University, o trabalho mobiliza um time de seis estudantes e conta com a participação de 14 professores de diferentes áreas.

Um dos primeiros resultados dessa aproximação já está dentro da própria Aurora Coop. Após permanecer um ano nos Estados Unidos e atuar no projeto, um médico-veterinário foi contratado pela cooperativa e passou a conduzir parte do trabalho no Brasil. Para Magalhães, esse profissional representa a primeira geração de especialistas capazes de conectar conhecimento veterinário e análise avançada de dados.

A cooperação também nasceu em condições diferenciadas. Enquanto novas empresas interessadas no programa têm investimento estimado em cerca de US$ 50 mil por ano, relacionado principalmente à formação dos pesquisadores, a parceria com a Aurora Coop não prevê esse desembolso nos mesmos moldes, em razão da participação da cooperativa desde a fase inicial do projeto.

INOVAÇÃO MUNDIAL

Os primeiros protótipos já avançam para a aplicação prática. Os trabalhos começaram no Rio Grande do Sul e chegam também a Santa Catarina. A expectativa é que, em aproximadamente dois anos, as ferramentas estejam incorporadas a todo o sistema produtivo da cooperativa.

O vice-presidente de agronegócios da Aurora Coop, Marcos Antonio Zordan, destaca que a parceria aproxima a produção brasileira das ferramentas mais avançadas desenvolvidas internacionalmente para diagnóstico, identificação e previsão de problemas sanitários.

“Vamos conseguir ter o que existe de mais inovador na suinocultura mundial dentro da Aurora Coop e puxar essa evolução para o Brasil”, afirma.

A perspectiva está alinhada às diretrizes de longo prazo da cooperativa, com metas voltadas à redução de perdas, mortalidade, condenações, lesões e doenças e à evolução do padrão sanitário do rebanho.

Ao unir a escala produtiva e a capacidade de rastreamento da Aurora Coop ao conhecimento científico da Iowa State University, o projeto transforma um ativo já existente — os dados — em uma ferramenta para antecipar decisões. O objetivo final é fazer com que a informação deixe de apenas explicar o passado da produção e passe a ajudar a prever seu futuro.

DIMENSÃO

            As 8 plantas industriais de suínos da Aurora Coop abateram 8,2 milhões de cabeças em 2025, registrando crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior. Esse volume correspondeu a 17,05% do abate nacional. Em 2026 deve evoluir para 8,6 milhões de cabeças. A base produtiva no campo é formada por 3.453 produtores integrados.

Relacionado com Agronegócios
Sectoriales sobre Agronegócios

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

EDIÇÃO suínoBrasil 2º TRI 2026
Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Menos antibióticos, mais prevenção: o caminho que a suinocultura brasileira ainda precisa percorrer

Maurício Cabral Dutra
Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

Palatabilizantes além do desempenho zootécnico de leitões: papilas gustativas, expressão gênica de cotransportadores e saúde intestinal

Letícia Guizzo Prof Dr. Vinicius Ricardo Cambito de Paula Prof. Dr. Sergio Luis Castro Junior Yasmin Silva Viana
Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Micotoxinas na ração suína: o risco começa no ingrediente

Anna Lara M. Teixeira Carlos J.Kippert Gabriel C. Rocha Jansller L. Genova Lucas M. Teixeira
Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Frimesa põe o marketing para trabalhar e redesenha sua aposta na carne suína

Priscila Beck
Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Inverno e doenças respiratórias na suinocultura: por que o frio aumenta os desafios sanitários?

Geovana Coelho Ferreira Isabela de Andrade Luís Guilherme de Oliveira
Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Condição corporal e eficiência reprodutiva em fêmeas suínas: implicações e estratégias de manejo

Danilo A. Marçal Jaira de Oliveira Luciano Hauschild Rafaella Fernandes Carnevale Sara J. Sardinha
Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Coleta, transporte e destinação adequada de suínos mortos durante a produção

Dra. Masaio Mizuno Ishizuka
Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

Microminerais orgânicos na nutrição de matrizes suínas: mais suporte para reprodução, lactação e desempenho da leitegada

Equipe Técnica Biochem Brasil
A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

A Engrenagem Humana: o elo entre a tecnologia e a alta produtividade

Diogo Lima Goulart
Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Como trabalhar um dos maiores desafios das nossas maternidades: a mortalidade de leitões na lactação

Djane Dallanora
Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas

Caudofagia: entendendo o comportamento para prevenir perdas

Natalia Sitanaka
Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sanidade, bem-estar e gestão: os pilares práticos da sustentabilidade na suinocultura moderna

Sula Alves
DESCUBRA
agriNews Play - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería