20 maio 2026

O consumidor que nunca entrou em uma granja pode decidir o futuro da suinocultura

No SINSUI, Cleandro Pazinato Dias afirmou que o futuro da suinocultura também será definido pela percepção do consumidor urbano sobre bem-estar animal. O palestrante destacou que transporte, manejo e comunicação da cadeia influenciam reputação, mercado e competitividade.

O consumidor que nunca entrou em uma granja pode decidir o futuro da suinocultura

Cleandro Pazinato Dias defendeu que o avanço do consumidor urbano, digital e sensível ao bem-estar animal deve pressionar mudanças em gestação coletiva, maternidades livres, práticas em leitões recém-nascidos, transporte e comunicação da cadeia.

O consumidor que nunca entrou em uma granja pode decidir o futuro da suinocultura

O futuro da suinocultura não será definido apenas dentro da granja. Ele também será influenciado por consumidores urbanos, digitais e cada vez mais distantes da produção animal. Essa foi a provocação central de Cleandro Pazinato Dias, da AKEI, durante palestra no Simpósio SINSUI-ELANCO de Sanidade de Suínos.

A partir da frase “nós produzimos para alguém consumir”, Cleandro reposicionou o bem-estar animal como tema de competitividade, reputação, acesso a mercado e gestão de risco. A mensagem não foi apenas que a cadeia precisa comunicar melhor o que faz. Foi que algumas práticas podem se tornar cada vez mais difíceis de sustentar apenas pela argumentação, especialmente diante de consumidores jovens, urbanos e influenciados por redes sociais.

A distância entre consumidor e granja aumentou

Um dos dados usados na apresentação foi a elevada urbanização da América Latina e do Brasil. A leitura do palestrante foi que o consumidor que compra carne suína está cada vez mais distante da origem do alimento. Muitos não têm memória rural, não conhecem práticas produtivas e formam percepção a partir de imagens, denúncias, vídeos, influenciadores e narrativas digitais.

Esse distanciamento muda a forma como a sociedade avalia a produção animal. Para a cadeia, determinados manejos podem ter explicação técnica, econômica ou sanitária. Para quem observa de fora, sem contexto, eles podem ser interpretados como maus-tratos, negligência ou falta de transparência.

Pets mudaram a forma de olhar os animais

Cleandro também conectou o crescimento dos animais de companhia e a humanização dos pets à percepção pública sobre animais de produção. Na visão apresentada, principalmente entre gerações mais jovens, há uma aproximação emocional entre pets e animais criados para produção. Isso não significa que todos os consumidores rejeitem proteína animal, mas indica que a tolerância a determinadas práticas pode mudar.

Essa mudança torna o bem-estar uma variável técnica e comercial. Gestação coletiva, maternidades livres, restrição de práticas em leitões recém-nascidos e transporte foram apresentados como pontos de maior sensibilidade. São temas que exigem adaptação, indicadores, transparência e, em alguns casos, mudanças estruturais nos sistemas.

Transporte expõe a imagem de toda a cadeia

Entre os pontos críticos, o transporte recebeu destaque especial. Cleandro afirmou que a forma como os suínos são transportados influencia a imagem que a comunidade tem de toda a cadeia produtiva. Isso coloca treinamento de motoristas, qualidade dos veículos, monitoramento, planos de contingência, indicadores de bem-estar e rastreabilidade como elementos de gestão, não apenas como exigências operacionais.

A palestra também abordou o risco de viralização. Casos de maus-tratos envolvendo animais podem ganhar grande repercussão nas redes e acelerar respostas legais, regulatórias e empresariais. Para a suinocultura, o alerta é que a reputação pode ser impactada por episódios que a sociedade interpreta com velocidade muito maior do que a cadeia consegue explicar.

Bem-estar deixa de ser pauta paralela

A principal contribuição da palestra foi mostrar que bem-estar animal não deve ser tratado como assunto externo à produção. Ele dialoga com ambiência, manejo, mortalidade, transporte, instalações, mercado, legislação, reputação e confiança do consumidor.

O consumidor que nunca entrou em uma granja pode não decidir sozinho o futuro da suinocultura. Mas sua percepção já influencia varejo, compradores, normas, compromissos empresariais e pressão social. Para uma cadeia que produz para alguém consumir, ignorar essa variável pode ser mais arriscado do que enfrentá-la tecnicamente.

Relacionado com Carne suína
Sectoriales sobre Carne suína

REVISTA SUÍNO BRASIL

Inscreva-se agora para a revista técnica de suinocultura

DESCUBRA
agriNews Play - Los podcast del sector ganadero en español
agriCalendar - El calendario de eventos del mundo agroganaderoagriCalendar
agrinewsCampus - Cursos de formación para el sector de la ganadería

Manage Consent

To provide the best experiences, we use technologies like cookies...

Funcional (Necesarias)
Siempre activo
Estadísticas (Analytics)
Medición de audiencia.
Marketing (Ads)
Publicidad personalizada.