10 ago 2026

Quanto uma simples agulha pode custar à qualidade da carne suína?

No estúdio da agriNews Brasil durante o SIAVS 2026, Robson Roveda, da Neogen, explicou como manejo de agulhas, prevenção de lesões e rastreabilidade das aplicações podem impactar perdas, bem-estar animal e segurança da carne suína

Quanto uma simples agulha pode custar à qualidade da carne suína?

A qualidade da carne suína começa muito antes da chegada do animal ao frigorífico. Para que o produto final atenda aos padrões de qualidade e segurança exigidos pelo mercado, uma série de cuidados precisa ser observada ao longo de todo o ciclo produtivo. Entre eles está um procedimento aparentemente simples, mas que pode gerar consequências importantes: a aplicação de medicamentos e vacinas.

Esse foi um dos temas discutidos no estúdio da agriNews Brasil durante o SIAVS 2026, estrutura criada para aproximar especialistas e empresas dos profissionais da cadeia de proteína animal. Em entrevista à diretora da agriNews Brasil, Priscila Beck, o médico-veterinário Robson Roveda, desenvolvedor de negócios Brasil Cone Sul da Neogen, destacou a importância do gerenciamento das agulhas utilizadas na suinocultura e apresentou a nova D3X, além da campanha InjectMark.

Quando uma agulha se transforma em perda de carne

De acordo com Roveda, a escolha da agulha não deve ser tratada apenas como uma questão de custo de aquisição. O material utilizado participa de diferentes etapas do ciclo produtivo e pode influenciar diretamente a ocorrência de lesões. Segundo o especialista, estudos apontam que lesões relacionadas a abscessos podem representar até 20% das condenações parciais em frigoríficos, dependendo das condições avaliadas. Quando a lesão atinge regiões de maior valor comercial, como lombo ou pernil, a perda pode representar entre 1 e 5 quilos de carne por animal, conforme o caso citado durante a entrevista.

Em uma produção de grande escala, o impacto potencial deixa de ser pontual e passa a representar toneladas de produto que podem ser descartadas. Além da perda direta de carne, existem custos relacionados à mão de obra, redução do rendimento industrial e processamento das carcaças.

“A qualidade da agulha e o gerenciamento de como ela é utilizada em todo o ciclo produtivo são muito importantes”, ressaltou Roveda.

Bem-estar animal também entra na conta

A discussão sobre as agulhas, porém, não se limita à eficiência econômica. O manejo correto também está diretamente relacionado ao bem-estar dos animais. A utilização de uma agulha adequada ao tamanho do animal e ao tipo de aplicação, associada à manutenção de sua integridade e capacidade de corte, pode contribuir para reduzir inflamações e complicações no local da aplicação.

Para Roveda, uma agulha que permaneça afiada por mais tempo tende a proporcionar uma aplicação menos traumática. A consequência esperada é uma menor ocorrência de lesões e uma recuperação mais adequada após procedimentos como vacinação. Nesse sentido, qualidade, produtividade e bem-estar passam a fazer parte de uma mesma estratégia.

D3: três pilares para reduzir riscos

A Neogen trabalha com a linha de agulhas D3, cuja denominação está relacionada a três características: Durable (durável), Detectable (detectável) e Dependable (confiável).

Segundo Roveda, a composição da liga metálica utilizada no produto permite maior detectabilidade em equipamentos empregados pelas plantas frigoríficas.

Um dos pontos destacados pelo especialista é justamente a possibilidade de identificação de fragmentos metálicos em situações de quebra. Como nem sempre uma agulha quebrada permanece inteira, a capacidade de detectar pequenas partes torna-se relevante para o controle de perigos físicos na indústria.

De acordo com os dados apresentados durante a entrevista, a D3 pode alcançar até seis vezes mais detectabilidade em comparação com uma agulha convencional de aço inoxidável. Essa característica ganha importância especialmente porque uma eventual ponta de agulha pode permanecer inserida no tecido do animal e ser difícil de visualizar durante a inspeção convencional.

O que muda com a D3X?

A D3X, apresentada pela Neogen como uma ampliação da gestão de riscos. A nova agulha mantém os três pilares da D3, durabilidade, detectabilidade e confiabilidade, e acrescenta um elemento visual: um marcador colorido na base da cânula.

O recurso facilita a identificação de uma eventual quebra durante o manejo na granja. Como parte do marcador permanece visível externamente, a equipe pode localizar a ocorrência, registrar o problema e realizar a retirada da agulha quando possível.

Caso isso não aconteça, a maior detectabilidade do material pode contribuir para sua identificação nos sistemas de controle utilizados pela indústria.

“A D3X amplia a gestão de risco tanto para o produtor quanto para a indústria, porque permite uma dupla detecção: visual na granja e por equipamentos na planta”, explicou o desenvolvedor de negócios da Neogen.

De olho na agulha, mas também no processo

Durante a entrevista, Roveda reforçou que a segurança da aplicação não depende exclusivamente da escolha da agulha. O procedimento completo precisa ser padronizado, monitorado e registrado.

É nesse contexto que a Neogen apresentou durante o SIAVS 2026 a campanha InjectMark, estruturada sobre três etapas: aplica, marca e confirma.

A proposta reúne diferentes ferramentas para tornar o processo mais rastreável e seguro, incluindo agulhas, aplicadores, vacinadores e marcadores. A empresa também trabalha com diferentes modelos de aplicadores e equipamentos voltados à vacinação, além de bastões e sprays marcadores.

Da granja à indústria

A proposta da Neogen é conectar as etapas do processo. Na visão apresentada por Roveda, não adianta utilizar um equipamento de qualidade se o restante do procedimento não seguir os mesmos padrões de segurança.

A gestão adequada das aplicações começa na propriedade e pode gerar reflexos na etapa industrial, especialmente quando o objetivo é reduzir riscos de lesões, condenações e presença de corpos estranhos.

Segundo o especialista, grandes agroindústrias exportadoras já utilizam soluções da Neogen relacionadas ao gerenciamento de agulhas e aplicações em seus programas, enquanto distribuidores levam a tecnologia também para propriedades independentes e integradoras.

Qualidade como resultado de toda a cadeia

A discussão apresentada no estúdio da agriNews Brasil mostra que qualidade da carne suína não é construída apenas no frigorífico. Ela é resultado de uma sequência de decisões tomadas desde a granja, envolvendo sanidade, manejo, bem-estar, segurança e controle de riscos. Nesse cenário, a escolha correta das agulhas pode parecer um detalhe diante da dimensão da cadeia produtiva, mas seus efeitos podem se multiplicar quando considerados milhões de animais abatidos e processados.

Ao unir tecnologias de aplicação, identificação e controle, a Neogen busca atuar justamente nesse ponto de conexão entre manejo, bem-estar animal, segurança alimentar e qualidade do produto final. Para Roveda, o desafio é transformar esse conjunto de cuidados em processos cada vez mais padronizados e confiáveis, uma necessidade que ganha ainda mais importância para uma suinocultura voltada aos mercados nacional e internacional.

Entrevista completa

Fonte: Redação suínoBrasil.

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